HOSPITAL SIMÃO MENDES ESTÁ SEM STOCK DE SANGUE

A diretora-geral dos estabelecimentos de cuidados de saúde do banco de sangue, a nível nacional, Quinta Sanhá Insumbo, revelou que o Hospital Nacional Simão Mendes (HNSM) está sem stock de sangue para os casos de emergência sanitária. A diretora-geral dos estabelecimentos de cuidados de saúde do banco de sangue não revelou os motivos que levaram o Banco de Sangue do maior centro hospitalar do país a ficar sem stock. 

Interpelado pela repórter de O Democrata, no âmbito da celebração do dia mundial de doador de sangue, que se assinala no dia 14 de junho, o presidente da Associação Guineense de Doadores de Sangue Voluntário (AGUIDAVS), Gentil da Silva, revelou que não existe nenhuma política nacional de sangue.

Os dados estatísticos indicam que a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que 5% de população de um país seja, pelo menos, doador regular de sangue, para que o stock dos homocentros possa responder às necessidades da população.

Na Guiné-Bissau, não há dados sobre o número total de doadores, mas estima-se que menos de 2% da população guineense seja doador de sangue.

Atualmente, o país conta com quinze (15) bancos de sangue em todo o território nacional, todos sem equipamento, apenas o de HNSM está, a meio gás, em funcionamento, mas carece de materiais para a transfusão. 

Sobre o assunto, a diretora-geral dos Estabelecimentos de Cuidados de Saúde do Banco de Sangue lamentou, em entrevista ao nosso semanário, a situação em que se encontram os bancos de sangue e disse que é “grave” para o sistema de saúde, porque os pressupostos de transfusão devem estar disponíveis a todo o tempo.

Quinta Sanhá Insumbo explicou que o processo normal de doar sangue deve passar por testes que possam descartar quaisquer impedimentos de doar sangue, tendo sublinhado que a transfusão de sangue na Guiné-Bissau é feita, às vezes, sem um estudo prévio.

Perante estes fatos, responsabilizou o Ministério da Saúde Pública por tudo o que se passa nesse setor e defendeu que é preciso dar autonomia funcional ao centro nacional de sangue e disponibilizar recursos humanos e materiais para o seu pleno funcionamento. 

“O grupo de sangue que mais dá trabalhos aos técnicos é O negativo, por ser a nível dador universal e só consegue receber sangue do mesmo grupo sanguíneo. Já tiveram muitas complicações sem solução com esse grupo de sangue”, frisou.

A diretora-geral dos Estabelecimentos de Cuidados de Saúde do Banco de Sangue lamentou que tenha sido difícil o guineense aceitar, da sua livre vontade, doar sangue, devido a várias fatores e dúvidas que os próprios doares têm do destino do sangue.

“Por questões culturais, até doar sangue a um membro da mesma família muitas vezes é um problema”, indicou.

“Dar sangue, é dar vida a alguém. Sangue é um órgão tal como o coração, fígado, etc. Se doarmos sangue, significa que estamos a dar uma parte do nosso corpo para salvar a vida de uma pessoa”, explicou.

Quinta Sanhá Insumbo admitiu a venda de sangue doado no Hospital Simão Mendes, contudo, disse que a direção do centro nacional de sangue está a trabalhar e não tem poupado esforços para acabar com a prática. 

“Às vezes não se trata de venda de sangue. O hospital carece de materiais para fazer coleta de sangue e quando um paciente precisa de transfusão, os familiares muitas vezes são obrigados a comprar os kits para a transfusão”, esclareceu.

Por: Djamila da Silva

Foto: D. S

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