CAPITANIA DOS PORTOS DA GUINÉ REGISTA CINCO NAUFRÁGIOS E OITO ÓBITOS

O capitão dos Portos da Guiné-Bissau, Quefade Pedro Nunes, revelou esta terça-feira, 21 de junho de 2022, que de fevereiro a junho deste ano, o país registou cinco naufrágios de canoas a motor e a remo, que resultaram em perdas de oito vidas.

O primeiro naufrágio foi reportado pela delegacia portuária de São Vicente e ocorreu em Sili, arredores de Bissorã, norte do país. A canoa a remos, que acabara de sair de Samutche, tinha a bordo seis pessoas, mas nenhum dos tripulantes saiu com vida. O segundo naufrágio que foi provocado por mau tempo, conforme as declarações do capitão dos portos, aconteceu a 14 de fevereiro na ilha de Caravela e resultou num óbito.

No dia 7 de maio, ocorreu outro naufrágio com um pescador no setor de Cacine, sul do país. Informações da capitania indicam que o pescador, que padecia de Epilepsia, caiu borda fora, quando se preparava para atracar a sua canoa e acabou morto por falta de socorro.

O último naufrágio foi de uma canoa de 40 KW doada pelo Presidente da República, Umaro Sissoco Embaló, à ilha de Caravela, que ocorreu a 16 de junho na ilha de maio, tinha a bordo 54 sacos de castanha de cajú, 27 passageiros e mercadoria diversa. Dos 27 passageiros a bordo, os corpos de dois deles não foram encontrados até ao momento pelas equipas de busca e salvamento.

Quefade Pedro Nunes disse que a canoa naufragou, porque o capitão não seguiu as orientações da delegacia marítima local.

O capitão dos Portos da Guiné-Bissau relatou que, segundo informações das equipas da delegacia e de busca e salvamento, a canoa saiu da ilha de Caravela às 9 horas e fez escala na ilha de Caras e permaneceu lá até às 18 horas.  Quando saiu da Caras, já era noite.

Na ilha de maio, fortemente rodeada de pedras, bateu de frente duas vezes, em duas pedras diferentes, que a destruíram completamente, relatou, para de seguida frisar que a canoa seguia com excesso de velocidade, o que terá facilitado o naufrágio.

“Temos também um caso na cidade de Canchungo de um pescador que continua desaparecido e as buscas continuam até ao momento. A canoa continua lá parada e os materiais do pescador desaparecido continuam intactos. Os motivos da ausência do pescador ainda não foram apurados”, salientou.

Perante estes fatos, avisou que a capitania vai responsabilizar quem quer que esteja a desrespeitar as regras e as orientações do Instituto Marítimo Portuário (IMP) ou da capitania, sobretudo o uso obrigatório de coletes salva-vidas e o respeito das lotações das embarcações.

Neste sentido, pediu a colaboração da população e dos passageiros no sentido de denunciarem os capitães das embarcações que não respeitam as regras ou as orientações do IMP e da capitania dos portos.

Quefade Nunes reconheceu que a falta de sinalização do mar pode ser uma das causas dos naufrágios que ocorrem nas águas do país, contudo, acusou pescadores de pouco ou nada terem feito para a manutenção dos faróis, porque “roubam-nos,  roubam as boias e as baterias nos postos de sinalização”.

“É verdade que temos também a nossa responsabilidade de exigir à administração dos portos, a APGB, a fazer trabalhos de manutenção e recuperação dos faróis”, reconheceu e disse que o instituto sozinho não tem capacidade para dar respostas às emergências no mar, razão pela qual tem trabalhado em colaboração com outras instituições e pessoas singulares e a capitania entra apenas com a parte do combustível e incentivos.

Por: Filomeno Sambú

Foto: F.S

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