QUADRIGÉMEOS MORRERAM NO CUIDADO INTENSIVO DO HOSPITAL SIMÃO MENDES POR “FALTA DE CUIDADOS MÉDICOS”

Os quadrigémeos, três raparigas e um rapaz, que nasceram de parto prematuro no hospital regional de Bafatá, faleceram todos no Hospital Nacional Simão Mendes, em Bissau, por falta de cuidados médicos especiais. 

O Democrata apurou que a mãe não apresentou nenhuma complicação depois do parto, no dia 22 de junho do ano em curso. A nossa fonte confidenciou que a mulher, depois de dar à luz às quatro crianças, dançou e ria-se de alegria pela “bênção de Deus”, não obstante ter sido um parto prematuro.

O hospital regional de Bafatá não tem serviço de neonatologia funcional nem incubadoras, embora tenha médicos suficientes para se ocuparem desse serviço. Por isso, as crianças foram evacuadas para o Hospital Nacional Simão Mendes, que dispõe dos serviços adequados para que cuidasse dessas crianças.

A fonte adiantou que, durante a evacuação, as crianças foram monitorizadas no carro até ao Hospital Nacional Simão Mendes e chegaram sem nenhuma complicação.

“Em Bafatá, durante a captação, a imagem de ecografia mostrou trigémeos, não quadrigémeos. A máquina da ecografia que funciona no Hospital de Bafatá é da segunda dimensão, ou seja, não dá a imagem clara. É preciso que o hospital Regional de Bafatá tenha capacidade de atendimento sanitário para evitar mortes de crianças”, explicou a fonte.

Os quadrigémeos deram entrada no dia 22 de junho, à noite, na Urgência da pediatria do Hospital Simão Mendes, mas uma fonte junto daquele serviço disse que não havia cama nos cuidados intensivos da pediatria para interná-las. Por isso, foram atendidas só no dia seguinte, 23 de julho, facto que poderá ter levado à morte de três dos quatro gémeos por, supostamente, falta de cuidados médicos especiais alguns dias depois.

“Normalmente, as crianças que saem de outros centros de saúde e hospitais são recebidas na urgência da pediatria para triagem. Se for uma criança com menos de 28 dias, ela é levada para o serviço de neonatologia, e se for de mais de 29 dias, vai para os cuidados intensivos da pediatria. Como era um parto prematuro, essas crianças deveriam ter sido internadas nos cuidados intensivos da pediatria, mas não havia camas nesse serviço. Morreram três dos quatros meninos. A sobrevivente encontrava-se ainda nos cuidados intensivos do serviço de neonatologia do Hospital Simão Mendes “, explicou a fonte.

Outra fonte confidenciou ao Democrata que a sobrevivente acabou por morrer por suposta “bronca aspiração” sem, no entanto, precisar a data do falecimento da última criança.

“A situação da saúde da criança estava a piorar-se. Tinha febre e não estava a ganhar quilos. Se o hospital tivesse as condições exigidas, poderia ter sido colocada na incubadora. A criança pode ter morrido por bronca aspiração, porque tomava apenas leite”, contou.

O repórter de O Democrata tentou sem sucesso contatar os responsáveis do serviço da Pediatria do Hospital Simão Mendes para confirmar se não havia camas para os quadrigémeos, assim como o que fez a pediatria para salvar as crianças, mas ninguém se dispôs a falar.

Por: Tiago Seide

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