GUINÉ-BISSAU TEM TODAS AS CONDIÇÕES DE TRANSFORMAR-SE NUM PAÍS DESENVOLVIDO E ECONOMICAMENTE ESTÁVEL

 

O Embaixador da República Popular da China na Guiné-Bissau Wang Hua disse, em Grande Entrevista, ao Semanário O Democrata, não ter nenhuma dúvida que o nosso país está em condições de transformar-se num país desenvolvido e economicamente estável, uma vez que a nossa situação geográfica na África Ocidental é muito vantagiosa por estarmos próximos de América Latina e também não muito longe da Europa.

Para o diplomata chinês, não obstante a pátria de Amílcar Cabral ser um país pequeno em tamanho, é rico em termos dos recursos naturais e humanos. Tem mais de 80 Ilhas e possui também recursos minerais em diferentes partes do território nacional. Na visão de Wang Hua, o maior problema que se coloca ao nosso país é saber como aproveitar dos seus recursos e também como planificar o seu futuro. O diplomata chinês considerou a estabilidade política como pré-requisito fundamental para podermos saber aproveitar os nossos recursos e planificar o futuro da geração vindoura. Wang Hua afiançou ainda que o processo eleitoral em curso vai ser decisivo e importante para  a normalozação da vida do povo guineense. A China, a semelhança dos outros países amigos da Guiné-Bissau, está a acompanhar este processo com uma atitude positiva e de participação. Dentro de poucos dias, garannte o representante do Estado chinês, o governo de Pequim dará  a sua modesta contribuição para a Comissão Nacional das Eleições.O diplomata garantiu ainda, na Grande Entrevita ao nosso Jornal que a China, como um país amigo da Guiné-Bissau em momento oportuno discutirá com o governo guineense  que sairá das próximas eleições gerais todas as possibilidades de intensificar as  relações de cooperação em todos os domínios, de acordo com o espírito do fórum do Macau, a fim de poder materializar todos os projetos acordados entre os dois governos.

O DEMOCRATA (D): A República Popular da China tem vindo a demonstrar que é o maior parceiro estratégico da Guiné-Bissau. Que leitura faz o Embaixador do estado da cooperação atual entre os dois países?

WANG HUA (WH): A República Popular da China e a República da Guiné-Bissau são dois países em via de desenvolvimento. Apesar de termos superfícies da terra diferentes e o número da população também diferente, partilharmos uma mesma tarefa, isto é, zelar para o crescimento económico dos nossos países. Como também manter uma situação da estabilidade política e oferecer aos nossos povos a constante melhoria das condições de vida. Estamos num mundo novo e perante uma situação totalmente nova, portanto é da responsabilidade dos nossos países de se lutarem pela aceleração de crescimento económico e em outras áreas para o bem do país e da população. Até hoje temos algumas cooperações com a Guiné-Bissau em várias áreas, designadamente na área da agricultura, da pesca, da educação e na área da medicina. Para mim, como embaixador, acho que ainda não é suficiente. A China e a Guiné-Bissau têm grandes potencialidades para poder sustentar um desenvolvimento da nossa parceria para um futuro próximo, imediato e mais longo. Por isso, esperemos que os dois países e os dois Governos possam efetivamente apertar-se as mãos um ao outro no sentido de estreitar ainda mais a cooperação, sobretudo, ao nível estratégico. Não se trata de uma cooperação momentânea, ou seja, uma cooperação por só um ou dois projetos. Mas sim, estamos a falar em estratégia que podem incluir todas as áreas que permite um bom desenvolvimento dos nossos países.

D: Nos últimos tempos a Guiné-Bissau foi abalada pela instabilidade política e militar. O que sustenta, até então, o interesse da China em cooperação com a Guiné-Bissau?

WH: Os dois países são soberanos e membros das Organizações das Nações Unidas (ONU) e respeitamos a mesma regra de jogo da ONU. A cooperação existente entre a China e a Guiné-Bissau é baseada em respeito mútuo, mas também no princípio de não intervenção em assuntos internos, não agressão mútua. Mesmo havendo qualquer que seja problema ou desafio, as partes decidem em solucionar os problemas existentes através de consultas, ou melhor, diálogo.

D: É verdade que a República Popular da China vai apoiar também a Guiné-Bissau na construção de uma barragem para garantir o fornecimento da energia eléctrica?

WH: Em alguns jornais vê-se essa notícia que fala desta possível cooperação no futuro, onde a China tomou o engajamento em apoiar o país no setor da energia. Lembro-me que comecei a desempenhar a função do embaixador do meu país na Guiné-Bissau em Julho último e dentro deste período chegaram três ou quatro delegações de empresários chineses. Sei também que algumas empresas chinesas já assinaram acordos com a parte guineense sobre a possibilidade de algum projeto na área energética, mas particularmente, na construção de barragem para a produção da energia eléctrica. Como embaixador da China na Guiné-Bissau, espero o pleno sucesso destes projetos, porque vão trazer grandes vantagens para o país e ao povo guineense já que resolverá os problemas da energia que afeta hoje o país.

D: Quando é que serão desembolsados os 17 milhões de Euros que a China prometeu ao governo de transição, no quadro do fórum de Macau?

WH: Sim é verdade que a China apoiará o Governo da Guiné-Bissau com este montante. Este apoio da parte chinesa para a Guiné-Bissau significa para nós uma demonstração de amizade e trata-se de uma cooperação entre o Governo de Pequim e o Governo de Bissau.Para materializar essa cooperação e para usar bem este dinheiro, ambas as partes precisam estudar. Segundo as informações que tenho, entre a Guiné-Bissau e a China existe uma lista de cooperação prioritária, portanto o número um desta lista de prioridade é a construção de Palácio de Justiça. Eu pessoalmente acho que este dinheiro pode ser aproveitado prioritariamente para construir este palácio de justiça, no entanto de acordo com as informações, os  especialistas chineses já chegaram a Guiné-Bissau com o intuito de efectuar um estudo no terreno, onde será erguida a obra de palácio de justiça. Também irão levar consigo alguma amostra da terra retirada a uma determinada profundidade de solo para efeitos de estudo em China, a fim de analisar melhor a qualidade de solo e igualmente poder desenhar muito bem a casa da Justiça. Ainda no âmbito deste projeto da construção de Palácio da Justiça, o Ministro de Justiça da Guiné-Bissau viajou há poucos dias à Pequim, com o objetivo de entabular contactos com as autoridades chinesas sobre o projeto.

D: Falou-se igualmente no quadro de fórum de Macau de ajuda de assistência de emergência da China para a Guiné-Bissau, no qual a China compromete apoiar o nosso país com alimentos. Quando é que chegarão esses gêneros alimentícios ao nosso país? WH: Neste momento em que estamos a falar, o barco está no mar com 1400 toneladas de sacos de arroz. Segundo as informações, se tudo correr bem, chegarão dentro de poucos dias, ou melhor antes de fim deste mês de Novembro o Barco atracará nos portos de Bissau.

D: Que leitura faz da situação política da Guiné-Bissau neste momento?

WH: No ano passado o povo guineense enfrentou uma situação anormal que é o golpe de Estado, mas com os esforços de todas as partes e mais particularmente do apoio da comunidade internacional e regional conseguiu-se formar um Governo de Transição, mas que depois optou-se mais pela iniciativa da  inclusão que permitiu a entrada de outros partidos que estavam fora do governo de transição. Igualmente como o povo guineense esperemos que essa situação finalize, ou seja que esse período de transição seja o mais curto possível. Já com as eleições agendadas para o dia 16 de Março de 2014, fazemos o voto para que o processo de recenseamento e o acto de votação popular em si se decorram num clima de total tranquilidade. Depois das eleições haverá um Governo verdadeiramente do povo e eleito pelo povo da Guiné-Bissau.

D: A China espera intensificar mais a sua relação com a Guiné-Bissau, depois da realização das eleições e com o Governo eleito?

WH: A China não suspendeu e nem parou a sua cooperação com a Guiné-Bissau, mas acho que depois deste período da transição as nossas relações de cooperação serão mais consolidadas.

D: Será que a China vai apoiar o processo eleitoral e que pensa o governo chinês fazer depois das eleições para a consolidação da própria democracia?

WH: Este processo eleitoral vai ser decisivo ou digamos muito importante para  a normalozação da vida do povo guineense. A China a semelhança dos outros países amigos da Guiné-Bissau está a acompanhar este processo e não com uma atitude passiva, mas sim com uma atitude positiva e de participação. Dentro de poucos dias vamos dar uma modesta contribuição da nossa parte para a Comissão Nacional das Eleições (CNE). Tendo em conta a situação atual da Guiné-Bissau este processo é indispensável para permitir o país voltar à normalidade em todos os sentidos. Depois das eleições o povo guineense terá um novo Governo democraticamente eleito e temos a plena confiança que o Governo que sairá das eleições saberá orientar o povo e este país, como também conseguirá consolidar a estabilidade política, a unidade do povo, projetar o seu crescimento económico e relançar a sua relação diplomática a nível internacional. A China como um país amigo da Guiné-Bissau em momento oportuno vamos discutir com o Governo de Bissau que sairá das eleições todas as possibilidades de intensificação das nossas relações de cooperação em todos os domínios, de acordo com o espírito do fórum de Macau, a fim de podermos materializar todos os projetos acordados.

Muitas vezes a China é criticada pela sua política de fechar olhos em relação à violação de direitos humanos e, sobretudo da parte dos seus parceiros africanos, em detrimento dos seus interesses. Quer fazer um comentário sobre este assunto? 

WH: Eu vejo esta situação de outra forma. Quero lembrar que justamente graças ao apoio dos países amigos africanos e de outros continentes, a China foi reeleito na Comissão Mundial de Direitos Humanos e com uma votação significativa. O que é que acham que tudo isto demonstra: a China é violadora ou respeitadora dos direitos humanos? Hoje neste momento cada um tem a sua própria interpretação de direitos humanos. Alguns tomam o direito humano como um critério para tomar a sua decisão política, económica e comercial. Outros tomam o direito humano como o fundamental para melhorar e garantir a vida de um indivíduo, portanto, nós entendemos o direito humano como um direito natural de cada indivíduo. Para nós, logicamente, a subsistência, o desenvolvimento e a superação de cada indivíduo é fundamental.

D: Nos últimos anos tem-se verificado casos de violação dos direitos humanos e como também registou-se a situação de golpe de Estado e, consequentemente alguns países europeus e africanos tomaram uma posição firme contra a Guiné-Bissau. Mesmo com esta situação de golpe de Estado a China decidiu manter a sua cooperação com a Guiné-Bissau. Por quê? 

WH: Porque a China não é ator considerado como um maestro ou um professor neste mundo. Há um ditado popular chinês que disse: “Se o sapato é apropriado ou não, os pés é que sabem”. A situação de cada país é diferente e tudo o que aconteceu na Guiné-Bissau tem que ser analizado e solucionado pelo próprio povo guineense, de uma maneira independente e soberana.

O povo guineense é inteligente e não precisa de tantos professores ou maestros. O povo guineense pode superar todos os problemas que se encontra no seu caminho e para avançar rumo ao desenvolvimento.

D: Tem a ideia de quantos cidadãos chineses que vivem na Guiné-Bissau?           WH: Não são muitos e se estima em cerca de 300 cidadãos chineses que vivem e trabalham na Guiné-Bissau.

D: Como é que o geverno chinês reagiu o assassinato de um dos seus cidadãos no Leste da Guiné-Bissau?

WH: Primeiro é uma indignação para nós, porque entendemos que a cada indivíduo deve ser respeitado o seu direito de viver. Esse cidadão chinês da província de Kuantung situada entre o Macau e Hon-kong é um empregado de uma empresa chinesa que opera nesta terra e vem para trabalhar na Guiné-Bissau. Confesso que na verdade sentimos muito mal ou indignado com o assassinato deste nosso conterrâneo. Lembro que no dia 25 de Setembro recebemos chamadas telefónicas nesta embaixada de diferentes vertentes da sociedade guineense, tanto ao nível do Governo, Parlamento, quanto ao de amigos da  imprensa. Tudo isto demonsta a simpatia e a solidariedade do povo guineense para connosco – chineses. Decorridos 24 horas, recebemos a informação da parte das autoridades policiais que conseguiram deter os suspeitos deste assassinato. Portanto agradecemos a atitude das autoridades guineenses que acionaram mecanismos mais rápidos que permitiram a detenção dos autores deste crime. Também ficamos gratos ainda com as autoridades, em como encarraram o processo e bem como o procedimento acionado de levar os responsáveis à bara da justiça, portanto esperemos que a justiça seja realizada na verdade.

D: Este crime não vai desencorajar as empresas chinesas de investirem na Guiné-Bissau?

WH: Temos a consciência clara que essa situação é um caso isolado. Não se trata de uma atitude de hostilidade do povo guineense e muito menos da hostilidade do Governo contra a China, mas uma vez, deve ficar claro que sabemos que é um ato isolado de grupo de indivíduos e que as autoridades estão engajadas em levar avante o processo para a bara da justiça. Esta situação não deve e nem pode afetar a relação de cooperação existente entre o povo da Guiné-Bissau e o povo da República Popular da China. A nossa relação de cooperação continuará sem nenhum problema.

D: A China tem um novo modelo de cooperação que pretende expandir para o continente africano. Na África Oriental escolheu a Tanzania, onde pretende instalar um canal de televisão para os assuntos africanos. Já em África ocidental, onde é que pensa instalar esse canal de Televisão internacional chinesa, na Guiné-Bissau ou no Senegal?

WH: Para a China toda a Africa é um imenso parceiro na área de cooperação económica, comercial, educacional, cultural, médica, tecnológica e em todos os setores. Os países africanos e a china estamos situados em mesmo etapa de desenvolvimento. A China precisa desenvolver e a África também, desde a Guiné-Bissau, Senegal, Tanzania e outros países do continente precisam de se desenvolver. No Fórum do Macau a atitude da China foi bem manifestada, que a China gostaria de partilhar as suas experiências positivas e negativas com todos os países amigos. A experiência positiva que temos para partilhar permite promover a nossa cooperação com os países amigos em diferentes setores, enquanto a experiência negativa é demonstrar os países amigos para não repetirem os mesmos erros que cometemos no passado. Ainda de acordo com o Fórum do Macau a China se comprometeu abrir um centro de preparação de quadros em cada um dos países lusófonos, na Ásia e em Africa. A China compromete-se a intensificar a cooperação na área de Medicina e, sobretudo no sentido de mandar vir mais médicos para desenvolver trabalhos nos países lusófonos.  Entre a China e a Guiné-Bissau acho que já temos uma boa cooperação médica e, portanto o que vamos fazer é fortalecer mais essa área a partir do próximo ano depois da entrada em vigor de novo acordo, de 2014/ 2016.

D: A China investiu na construção de Hospital militar e neste momento o Hospital depara com problemas de falta de meios materiais. Por exemplo, um dos aparelho de mamografia concedido pela China desapareceu. Quando é que a China pensa equipar Hospital Militar com materiais modernos para o dotar de maior capacidade técnica e material de atendimento?

WH: Construir um hospital não é difícil, mas fazer funcionar bem o hospital não é fácil. Ter bons equipamentos não é difícil, mas usar bem os materiais e, sobretudo, ao serviço do povo não é muito fácil. Esta situação precisa de uma participação de ambas as partes, a parte chinesa e a parte guineense. Este centro hospitalar que construimos e que nós chamamos de Hospital Amizade Sino-Guineense e aqui é chamado de Hospital Militar Principal, pusemos materiais que ajudarão no tratamento do povo guineense em geral e não apenas aos militares. Segundo as estatísticas até hoje 80 por cento dos pacientes tratados neste centro hospitalar são a população civil e apenas 20 por cento são militares. Além disso temos uma equipa médica chinesa que mora no Hospital e que sempre está disponível em prestar o seu serviço gratuito a todo o povo guineense. Outra tarefa desta equipa de médicos chineses é a preparação dentro do Hospital, a capacitação de quadros médicos guineenses. Ao meu ver acho que isso é muito mais importante.

D: As universidades sempre queixam-se em como a China não apoia  o ensino superior.  Será que num futuro próximo o governo chinês tem planos para apoiar as Universidades guineenses? 

WH: Na verdade, a educação superior é outro tema importante, porque é lá que se preparam quadros qualificados para a condução política e económica de um Estado. A nossa cooperação na área educacional até hoje consiste em dois trabalhos concretos e especificos. Um é a preparação em cada ano, na China, de mais de 200 quadros nos cursos intensivos para algumas profissões e alguns conteúdos orientados. Vamos continuar com este trabalho, porque existe uma grande demanda do povo guineense que precisa de uma superação pessoal ou melhoramento dos seus conhecimentos. Outro trabalho que estamos a fazer é oferecer bolsas de estudos e em cada ano a China oferece cerca de 15 a 20 bolsas à Guiné-Bissau.

D: Embaixador, será que existe a possibilidade de construção de um edifício para a universidade pública, bem como possíveis apoios para as universidades?  

WH: A nossa cooperação não tem limite e pode chegar até a parte da educação superior, mas tudo isso depende do consenso das partes. A China não pode intervir em tomar decisões para a Guiné-Bissau, mas a China está sempre disponível em participar e em dar o seu apoio dentro da sua capacidade.

D: A China tinha um acordo para reabilitar os quartéis e até de construir casas para os oficiais militares, neste momento este acordo parece que deixou de existir. Será o acordo de reabilitação dos Quartéis e casas de oficiais já pertence ao passado?

WH: Sempre estamos disponível para ajudar o povo guineense, mas depende da vontade política dos dois governos. Quero reafirmar que a China está disponível em oferecer o seu apoio e conforme as informações depois de projeto da construção de palácio de justiça. Outro projeto de grande interesse de ambas as partes para a cooperação seria as residências, mas precisa das duas partes de um pouco de paciência.

D: A China daria a prioridade a construção dos quarteis, tendo em conta o estado de degradação  em que se encontram? Já visitou os Quarteis? WH: Ainda não, mas lendo as informações nos jornais permitiu-me ter algumas ideias. Como sabem a cooperação existente entre os dois países e, particularmente, no que refere em termos de apoios para a execução das obras precisa de dinheiro. O orçamento para financiamento das obras precisam de ser aprovado pela Assembleia Nacional Popular da China, portanto não depende de só uma decisão política ou do Presidente da República.

D: O maior problema que o Governo que sairá das próximas eleições vai enfrentar será a questão da reforma do Setor da Defesa e segurança. A China estaria disponível como um país amigo da Guiné-Bissau a apoiar o nosso país na formação de novos quadros militares e também apoiar fundo de pensão para a reforma?

WH: A reforma é um assunto de atenção e de preocupação de todo o mundo. A China nos últimos 35 anos vem intensificando a sua reforma. Para o partido precisa da consolidação da sua orgânica e para o Governo precisa da reforma. As forças armadas como uma parte da orgânica importante da sociedade precisa também introduzir as reformas para poder desempenhar melhor as suas funções e para trabalhar melhor para o povo e para a sociedade. O Partido Comunista da China há poucos dias tomou a decisões através da sua terceira sessão plenária do décimo oitavo Comité Central de implementar uma reforma na estrutura política e também de aprofundar a sua reforma na estrutura económica. Iniciou a sua reforma na área social, mas a reforma na China será em todos os sentidos. Se a parte guineense precisa destas experiências ou digamos ideias das reformas na China, acho que estaremos disponíveis em partilhar as nossas experiências e as nossas maneiras de implementar a reforma com o povo guineense. Porque sem reforma e ainda mais com as nossas estruturas e as nossas mentalidades de 40 anos ou 20 anos não é possível avançar. Para o Governo, a sociedade, as forças nilitares ou mesmo toda a sociedade precisamos de reformar o sistema e adequa-lo às exigências do tempo.

D: Será que a China irá contribuir para ajudar o país neste processo da reforma? 

WH: A China como um país amigo sempre está em melhor disposição de participar e não de observar.

D: Na sua visão acha que a Guiné-Bissau está em condições de transformar-se num país desenvolvido e economicamente estável no futuro próximo?

 WH: Sem dúvida alguma, é possível. Porque a situação geográfica da Guiné-Bissau é muito vantagiosa. Fica na parte ocidental da África e próximo da América Latina, mas também não muito longe da Europa. Tem mais de 80 ilhas e dispõe de recursos minerais em diferentes partes do território. A Guiné-Bissau é um país apesar de ser pequeno em tamanho, mas é um país rico em termos dos recursos naturais e humanos. Agora o maior problema que se coloca é como aproveitar os recursos de que o país dispõe, bem como planificar o seu futuro. Como o pré-requisito a estabilidade política é fundamental. A minha previsão é que a partir de primeiro de Dezembro a Guiné-Bissau vai caminhar para esse futuro.

D: O que mais lhe agrada na Guiné-Bissau?

 WH: Primeiro é o seu povo que para mim é um povo muito hospitaleiro e também muito simples. Um povo sorridente e que naturalmente parece o amigo do nosso povo, mas também o clima deste país me agrada muito. Estamos na época da seca e clima é muito agradável. Vocês não conhecem o clima da China que é muito exagerado para mim, temos lugares hoje com 30 graus negativos da temperatura e 30 graus positivos num só dia. A Guiné-Bissau é um paraíso em termos do clima e é um país que não é quase atacado pelo catástrofe natural. Aqui não se conhece terramoto ou furacão, mas em China todos os anos algumas províncias sofrem de inundações ou secas verdadeiras, ou outros problemas de catástrofe natural. De Leste para Oeste é um espaço de cinco mil quilómetros e de Norte para o Sul é de cinco mil e quinhentos quilómetros. O nosso território é imenso e também temos as montanhas mais altas do mundo, pode-se falar de Himalaia que é mais de 8.800 metros sobre o nível de mar e lá não cresce nada. O único problema da Guiné-Bissau é aquele desembocamento do Rio e que as vezes passa de água salgada e água doce. Em todos os sentidos essa terra é amigável para o povo é um país com boa localização geográfica e com ricos recursos na parte continental, nas ilhas e no mar.

D: Depois da independência havia as frotas pesqueiras chinesas que traziam pescado para Porto de Bissau e agora não se vê. Qual é a razão desta situação?WH: As informações que eu tenho é que uma parte do pescado é para abastecer os mercados da Guiné-Bissau e outra parte é para o mercado internacional. Acho que o problema agora é como desenvolver a pesca artesanal do povo guineense, poque dá emprego e para mim é bom para o povo.

D: Foram tantas questões ao mesmo tempo, talvez tenha algo interessante que não o perguntamos? WH: Apesar de ter apenas 100 dias de estadia aqui na Guiné-Bissau como o Embaixador, mas para mim é uma sorte de poder trabalhar aqui e acompanhar este povo que é grande amigo. Apesar de algumas dificuldades políticas acho que o povo tem a determinação e a confiança de prosseguir o espírito de Amílcar Cabral, no sentido de poder lutar por uma segunda independência da Guiné-Bissau e desta vez, é uma independência económica e política para poder desenvolver no sentido verdadeiro a sua querida pátria.

 

Por: Assana Sambú/António Nhaga

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