Xº congresso do PAIGC: PRESIDENTE CESSANTE DIZ QUE LUTAR CONTRA MANOBRAS DILATÓRIAS É UMA OBRIGAÇÃO

Domingos Simões Pereira, presidente cessante do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), afirmou que lutar contra as manobras dilatórias para subjugar os direitos dos militantes do partido não é e nem pode ser uma opção, mas sim uma obrigação.  

O candidato a sua própria sucessão manifestou essa determinação esta sexta-feira, 18 de novembro de 2022, na abertura dos trabalhos do Xº congresso dos libertadores, que decorre até domingo no ilhéu de Gardete, arredores de Bissau.

A abertura da reunião magna que reúne mais de mil delegados, contou com as presenças de dirigentes de várias formações políticas e representantes do corpo diplomático acreditado no país.  

No seu discurso, lamentou que o congresso do partido esteja a decorrer num momento marcado por “tristes eventos”, nomeadamente de invasão à sede dos libertadores e de violência gratuita contra os militantes e simpatizantes do partido.

Pereira criticou a atuação do atual regime no poder, salientando que as manobras dilatórias que atuais autoridades têm perpetradas contra cidadãos e o seu partido para impedir a realização do congresso vem reforçar a convicção do partido de que a luta contra” o regime autoritário, sem legitimidade popular, cujo objetivo é subjugar os direitos e liberdades dos seus militantes, “não é e nem pode ser uma opção. É uma obrigação”.  

“Ousemos, pois, renovar a nossa determinação em cumprir a nossa missão histórica e geracional, colocar toda a nossa energia e capacidade ao serviço deste partido e reiterar o compromisso de transformar   as conquistas da independência na melhoria efetiva das condições de vida das nossas populações”, exortou.   

O líder cessante do PAIGC disse que o país vive muitos difíceis em que os direitos civis e políticos dos cidadãos são permanentemente violados, de profunda degradação do ambiente político, a constituição e as leis sistematicamente violadas e a justiça instrumentalizada, bem como assiste-se às perseguições de opositores políticos, a raptos e agressões contra todas as vozes que se opõem ao regime.

O político afirmou que em consequência da situação política prevalecente derivada de dissolução do parlamento, o regime no poder está a conduzir o país a descalabro, nomeadamente aumento galopante de custo de vida, colapso nos setores da saúde e da educação, greves intermináveis na função pública e incapacidade de prestar serviços básicos como o fornecimento da água e a luz elétrica, degradação das infraestruturas, gestão danosa dos bens públicos e corrupção.

Simões Pereira lembrou que em março de 2019 ocorreram eleições legislativas ganhas pelo PAIGC com uma maioria relativa de 47 deputados e que em aliança com as outras formações políticas formou um governo, cuja governação foi interrompida em fevereiro de 2020, quando no meio de um contencioso eleitoral, no rescaldo das eleições presidenciais de dezembro de 2019, “Umaro Sissoco Embaló se autoproclamou Presidente da República e derrubou o governo legítimo do PAIGC”.

Sublinhou que, apesar da forma antidemocrática como tudo se processou e dos condicionalismos que envolveram o pronunciamento do Supremo Tribunal de Justiça sobre o contencioso, o PAIGC e o seu candidato aceitaram o veredito da instância judicial, tendo instado o presidente eleito a tomar posse respeitando os preceitos constitucionais.

“Infelizmente, não só esses preceitos constitucionais não foram respeitados, como assistimos a uma situação de profunda degradação do ambiente político, caraterizado por discursos inflamatórios de ódio   e de ameaças à unidade nacional e a coesão do tecido social.    

Manifestou a sua solidariedade aos partidos políticos do Espaço de Concertação dos Partidos Democráticos, tendo assegurado que o PAIGC continuará a trabalhar para reforçar unidade no seio do espaço, consolidando a sua frente republicana de luta contra a “deriva autocrática” do atual regime e pelo restabelecimento de um estado de direito democrático na Guiné-Bissau.

Por: Filomeno Sambú

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *