A falta da harmonização de preços dos produtos nos mercados da Guiné-Bissau enriquece, de forma ilícita, os comerciantes retalhistas, causando a especulação de preços nos mercados, o que tem reflexos negativos no quotidiano da população, provocando caos social no país.
A redução drástica do poder de compra da população aumenta a pobreza e a fome que está neste momento a abalar a vida dos consumidores guineenses, levando o país inteiro para um índice de fome situado em “grave”. Os consumidores não têm condições de adquirir bens essenciais da primeira necessidade, contribuindo, assim para maior insegurança alimentar no país.
Em declaraçãoà Rede dos Jornalistas sobre Mercado e Economia Ilícito da Guiné-Bissau (REJOMEI-GB), o Secretário-Geral de Associação de Consumidores de Bens e Serviços (ACOBES), Bambo Sanhá, explicou que a crise internacional que o mundo vive levou o país a não ter acesso aos produtos básicos e a uma insuficiência no abastecimento do mercado interno.
Assegurou que a rutura foi forçada devido à ausência do Estado no mercado ou a falta de intervenção das autoridades na regulação do mercado.
“O que levou a um desentendimento entre o governo e os comerciantes, porquanto a Inspeção Geral de Comércio tentou implementar o preço que estipulou e os comerciantes recusaram a cumpri-lo várias vezes, alegando não terem benefícios nem lucros”, contou.
Por seu lado, o Inspetor Geral de Comércio, Agostinho Lopes Djaló, reconheceu que os Serviços da Inspeção enfrentam enormes dificuldades em fiscalizar os preços dos produtos nos mercados, uma vez que o país carece de leis que regulamentam o setor do comércio. Todavia, garantiu que o governo não deixará os comerciantes fazerem o que quiserem no mercado.
Para o presidente da Associação dos Retalhistas dos Mercados, Aliu Seidi, o aumento do preço dos produtos nos mercados nacionais está relacionado com a conjuntura económica mundial.
“Todo o mundo tem problemas, mas há pessoas que não percebem, pensam que os comerciantes é que aumentam o preço a seu bel-prazer. Nenhum comerciante é culpado pela subida de preços, todos dependemos dos importadores. Se vendessem produtos a um preço razoável, nós também baixaríamos os preços. Pois, vendemos conforme compramos”, explicou Aliu Seidi.
LÍDERES DE OPINIÃO FALAM DA CRISE ALIMENTAR NA SOCIEDADE GUINEENSE
Sociólogo guineense, Diamantino Domingos Lopes, considerou que o elevado custo de vida em consequência do aumento dos preços dos produtos da primeira necessidade se deve à fraca política e à ausência de Estado no controlo dos preços dos produtos comercializados.
O sociólogo defendeu que o governo deveria intervir mais na definição clara e contundente de medidas e na regulação de preços de produtos, efetuando um estudo minucioso económico e financeiramente.
No entender do sociólogo, é salutar refletir sobre as questões ligadas a impostos e taxas cobrados aos grossistas para que possa haver um equilíbrio nos preços dos produtos nos retalhistas que vendem diretamente aos consumidores.
Diamantino Lopes teceu duras críticas ao governo no que concerne aos problemas que, segundo ele, a sociedade guineense enfrenta neste momento, designadamente: novos impostos e taxas cobradas aos importadores e aos servidores públicos que, na sua opinião, estão a impactar negativamente na vida das populações. Acrescentou que, se persistir esta situação, poderá criar uma revolta popular no país.
Sobre a regulamentação do mercado, o jurista Issa Seidi explicou que “vigora na nossa Constituição” o princípio de uma economia do mercado, em que o mercado funciona por si mesmo através das regras do mecanismo de oferta e de procura, ou seja, ofertar recursos para satisfazer a necessidade.
O especialista em Direito Económico afirmou que para acabar com a atual situação de rotura do produto no mercado nacional é necessário criar uma empresa que assuma a função de importar os bens e serviços que, no seu entender, vai permitir a estabilização do mercado nacional.
Enfatizou que o que se está a verificar no mercado nacional é pura especulação de preços dos principais produtos da primeira necessidade.
O economista Bubacar Embaló ouvido pela REJOMEI-GB advertiu que a especulação dos preços de produtos de primeira necessidade demonstra a falta de organização que se vive no setor das atividades comerciais.
“Quem ganha mais com esta situação são os comerciantes e os consumidores são os maiores prejudicados. A aplicação de medidas não convencionais de curto prazo para atenuar o corte de inflação e a não elaboração de uma política para conduzir o país a uma estabilidade económica, são fatores principais que conduzem a especulações dos preços de produtos nos mercados da Guiné-Bissau”, alertou o economista.
Por: Mamudo Dansó
Vice-coordenador da REJOMEI-GB
E-mail: rivadanso@gmail.com





















