ONG ENDA SANTÉ GUINÉ-BISSAU CAPACITA PRESTADORES DE SERVIÇOS EM VIH

A ONG Enda Santé Tiers Monde / Enda Santé Guiné-Bissau iniciou, nesta segunda-feira, 4 de agosto de 2025, uma formação de cinco dias destinada a técnicos e prestadores de serviços do VIH. A capacitação aborda o manejo clínico integral das hepatites virais e IST/VIH no país.

Esta ação formativa decorre no âmbito do Projeto Cares II, e tem como objetivo reforçar as competências dos profissionais de saúde no tratamento adequado das hepatites virais em diferentes estruturas sanitárias da Guiné-Bissau.

A Enda Santé é responsável pela implementação do Projeto Cares II, um programa de pesquisa desenvolvido na Casamansa e na Guiné-Bissau, focado em saúde sexual e resistência ao VIH, com financiamento do Grão-Ducado do Luxemburgo.

O projeto visa melhorar o estado de saúde das populações da Casamansa e da Guiné-Bissau, através do fortalecimento das capacidades dos sistemas de saúde, tanto na assistência clínica como comunitária, no tratamento de problemas relacionados com o VIH, VHB e HPV.

Na cerimónia de abertura da formação, a coordenadora do Programa Nacional de Luta contra as Infeções de Transmissão Sexual e Hepatites Virais, Djamila Bati, destacou que a maior preocupação atual está relacionada com as hepatites B e C, sublinhando que a Guiné-Bissau é um dos países endémicos a estas doenças, caracterizadas por uma fase crónica.

Segundo Bati, as hepatites virais são doenças previsíveis, ou seja, podem ser prevenidas, quer por meio da vacinação, quer por ações de sensibilização e informação junto da população.

“É uma doença que pode ser prevenida. E, nos casos em que se manifesta, pode ser tratada. O tratamento é crónico, porque a doença também é crónica”, explicou.

A coordenadora realçou que, do ponto de vista clínico, houve avanços significativos no tratamento das hepatites e do VIH ao longo da última década. No entanto, advertiu que ainda existem lacunas importantes no conhecimento da população, especialmente sobre o VIH, que deixou de ser uma sentença de morte, como nos anos 1980, graças aos tratamentos atualmente disponíveis, que permitem aos pacientes levar uma vida normal.

Questionada sobre as tendências da epidemia do VIH/SIDA no país, Djamila Bati informou que as novas infeções têm vindo a diminuir, mas alertou para a existência de grupos vulneráveis com taxas ainda preocupantes, como mulheres, jovens raparigas e grávidas seropositivas em tratamento.

A responsável sublinhou ainda que, apesar da redução global de novas infeções, é necessário redobrar a atenção em relação à transmissão vertical, ou seja, de mãe para filho, que continua a representar um grande desafio no contexto nacional.

Por: Carolina Djeme

Author: O DEMOCRATA

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