Líder do PAIGC: “ACEITO INDIGITAÇÃO DO COMITÉ CENTRAL PARA GANHAR ELEIÇÕES PRESIDÊNCIAS”

O presidente do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo-Verde (PAIGC), Domingos Simões Pereira, afirmou hoje em Bissau, que aceita a indigitação do Comité Central do PAIGC como candidato às eleições presidenciais, com vista a ganhar o sufrágio eleitoral agendado para o mês de novembro, porque a Guiné-Bissau precisa de liderança “firme, legítima e patriótica”, capaz de restaurar a ordem constitucional, devolvendo a dignidade ao exercício do poder público no país.

Igualmente coordenador da Coligação Plataforma Aliança Inclusiva (PAI – Terra Ranka), Simões Pereira diz ainda que espera receber o apoio dos demais partidos que constituem a plataforma PAI- Terra Ranka.   

“Aceito o desafio para ganhar as próximas eleições presidências com legitimidade moral e legal ao lado do povo guineense. Por isso digo que esta candidatura não é só minha, mas sim de todos os guineenses que aspiram por um país melhor, governado com seriedade, competência e espírito de serviço, anunciou Domingos Simões Pereira, afirmado que a Guiné-Bissau precisa de liderança firme, legítima e patriótica, capaz de restaurar a ordem constitucional, resgatar a esperança do povo e devolver a dignidade ao exercício do poder publico”.

“Conto recolher nas próximas horas o apoio dos demais partidos que constituem a nossa coligação PAI-Terra Ranka. Aceito esta missão consciente do momento grave e delicado que o nosso país atravessa, um momento marcado pela subversão da legalidade, pela captura das instituições e pelo desrespeito flagrante à vontade popular expressa nas urnas”, declarou Simões Pereira. 

Pereira falava em conferência de imprensa na sua residência oficial em Bissau, com o  objetivo de reagir a indigitação da sua pessoa pelo Comité Central do PAIGC ontem para concorrer às próximas eleições presidenciais da Guiné-Bissau. Vulgarmente conhecido como “DSP”, foi o único candidato que apresentou ao Comité Central do partido e obteve 359 votos, registrando nove votos contra e dois nulos. 

Neste sentido, o líder do PAIGC diz que ao aceitar esta indigitação reafirma o seu compromisso com os valores da democracia, da liberdade e da justiça, rejeitando com firmeza qualquer tentativa de exclusão, manipulação ou intimidação.

“Declaro-me pronto para enfrentar o desafio eleitoral com legitimidade moral e legal, ao lado do nosso povo. É um apelo à juventude, às mulheres, aos trabalhadores, à diáspora, aos militares patriotas e à todos os que não desistiram de acreditar na Guiné-Bissau, porque aceito esta missão acreditando em vós”, acrescentou Simões Pereira. 

Relativamente ao processo judicial sobre o resgate junto aos bancos comerciais em 2015, onde o presidente do PAIGC é visado, Simões Pereira garante que tem ficha limpa durante o seu percurso como servidor público, contudo afirma que não existem qualquer elemento fatual sobre processo do resgate que pode constituir alguma barreira à sua candidatura às eleições presidenciais do mês de novembro.

“Eu enquanto primeiro-ministro da Guiné-Bissau em julho de 2015, assinei uma carta, autorizando o ministro das Finanças na altura no sentido de começar diálogo com os bancos comerciais para encontrar a saída para aliviar as dívidas do setor privado, que envolvem muitas figuras que hoje acusam-me sobre este processo, e o meu governo foi demitido no dia 12 de agosto de 2015, mas o processo de negociação foi só consumado em novembro de 2015 com o outro primeiro-ministro. Neste sentido, quero saber qual é a minha implicação neste processo do resgate”, questionou DSP. 

Ladeado da vice-presidente do PAIGC, Dan Yala e demais dirigentes do partido fundado por Amílcar Cabral, Pereira abordou vários assuntos da atualidade nacional e com duras críticas ao comportamento do atual regime no dia do seu regresso a Bissau na última sexta-feira, proveniente do Senegal. O líder do PAIGC lembrou as forças de segurança e militares que o mandato do atual Presidente da República, Umaro Sissoco Embaló, terminou desde dia 27 de fevereiro, por isso, todos atores políticos devem ter o mesmo tratamento no país.

Neste sentido, apelou à estrutura militar a distanciar-se dos jogos políticos, principalmente das futuras eleições legislativas e presidenciais que se avizinham na Guiné-Bissau.

Importa salientar que após nove meses fora da Guiné-Bissau, Simões Pereira transmitiu aos jornalistas na ultima sexta-feira que voltou ao país para liderar a luta política antes das eleições legislativas e presidenciais marcadas para 23 de novembro deste ano.

Momentos antes da sua chegada, as forças policiais bloquearam o acesso ao interior e recinto do Aeroporto Internacional Osvaldo Vieira. Aos militantes do PAIGC e até aos jornalistas foram impedidos o acesso e, por isso, Simões Pereira não pôde prestar declarações num ambiente mais tranquilo.

Por: Alison Cabral

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