Dois dirigentes desportivos guineenses foram banidos de Futebol pela Federação de Futebol da Guiné-Bissau (FFGB) durante o Congresso Ordinário do organismo que gere o futebol do país realizado no passado dia 20 de setembro de 2025, nas periferias de Bissau.
Trata-se de Adilé Sebastião, agente de futebol, e Abdu Mané, antigo presidente de Cupelum FC. A suspensão ou erradiação dos dois dirigentes nacionais fazia parte da ordem do dia do Congresso Ordinário da FFGB.
Segundo apurou o Jornal O Democrata junto de uma fonte na instituição federativa, a decisão de banir Adilé Sebastião e Abdu Mané foi aprovada por maioria dos clubes e associações presentes no Congresso Ordinário do órgão liderado por Carlos Mendes Teixeira “Caíto”. Dos 48 presentes na sala, apenas três clubes não votaram a favor desta decisão, nomeadamente: Cupelum FC, FC Cuntum e Fidjus di Bideras.
Em causa, segundo a mesma fonte, está o comportamento dos dois dirigentes aquando da realização do último Congresso eletivo da FFGB em junho de 2024, onde Carlos Mendes Teixeira “Caíto”, foi reeleito presidente do organismo. Num processo eleitoral envolto em várias polémicas, Sebastião e Mané foram expulsos da sala da reunião pela forças de segurança na presença dos representantes da FIFA e CAF. Sebastião, que à altura pretendia concorrer à liderança da FFGC, relatou uma série de anomalias sobre eleição que motivou afastamento da sua candidatura.
Para além da polémica no congresso eletivo, os dois dirigentes são acusados de denegrir imagens da instituição federativa nos últimos anos, principalmente nas redes sociais, com ataques diretos ao presidente da FFGB, Carlos Mendes Teixeira “Caíto”.
Neste Congresso Ordinário do órgão que baniu Sebastião e Mané de futebol, os clubes associados aprovaram ainda o relatório de atividades e contas da última época desportiva 2024-2025 da FFGB.
Confrontado com a decisão FFGB, o antigo presidente de Cupelum FC, Abdu Mané, lamentou o comportamento dos dirigentes dos clubes e associações que estão a ser usados pelo presidente da FFGB no sentido de destruir o futebol nacional, através da compra de consciência e corrupção, validando documentos para banir dois dirigentes de futebol.
“Foram levados naquela localidade cultural para passarem a noite com instituto de validar o documento no referido congresso ordinário para banir os dirigentes que têm contribuído para o desenvolvimento de futebol nas respetivas comunidades, declarou Abdu Mané, acusando o presidente da FFGB de criar conta paralela no banco e conseguir apropriar-se de mais de 600 milhões de Francos CFA da instituição federativa nacional”.
Ouvido esta segunda-feira, 22 de setembro de 2025, pelo O Democrata, Mané voltou a questionar Mendes Teixeira sobre vários fundos e apoios que tem recebido desde que assumiu a liderança do organismo que tutela o futebol nacional, principalmente 5 milhões de Francos CFA que recebe mensalmente através dos fundos operacionais da FFGB.
“Dirigentes dos clubes têm vários questionamentos para fazerem ao presidente da FFGB, mas resolveram ficar em silêncio e mendigar Teixeira para continuar a roubar os fundos do órgão”, disse.
Desapontado com o comportamento dos associados pela validação deste documento, Mané prometeu avançar novamente com uma denúncia junto da Polícia Judiciária (PJ) e o Ministério Público (MP) para demonstrar a má gestão dos fundos do organismo pelo seu atual presidente.
“Como nunca apoiei-o no processo de desviar fundos da federação e na má gestão dos fundos, mas agora não vou poupar o atual presidente da FFGB na justiça, exibindo os documentos ligados à gestão danosa na federação de futebol”, garantiu Mané.
Por seu turno, o agente de futebol, Adilé Sebastião, mostrou-se triste com esta decisão que considera “sintomática” de uma incapacidade coletiva de fazer dos valores desportivos a âncora das decisões. Conhecido entre amigos por “Cabi”, o agente de futebol radicado fora da Guiné-Bissau, diz que esta decisão da FFGB carece de base legal, de um processo disciplinar justo e do mais básico direito à defesa.
“A expulsão – cujo significado e conteúdo desconheço -, ratificada pelo congresso da FFGB, qual plebiscito, carece de base legal, de um processo disciplinar justo e do mais básico direito à defesa. Um feito que, independentemente das pessoas envolvidas, envergonha o nosso futebol e nos afasta dos princípios da fair play e da governança que todos dizemos defender”, escreveu Sebastião na sua página oficial do Facebook.
Sebastião, que fundou Academia Fidjus di Bideras, diz que sua disponibilidade para contribuir para o engrandecimento do futebol da Guiné-Bissau permanece inalterada e vai recorrer a todos os mecanismos legais ao seu dispor para fazer valer a justiça e os seus direitos.
“Lamento, sobretudo, que se tenha recorrido a um Congresso, instrumentalizando-o, para sancionar uma decisão sobre a qual não tem competência, uma vez que os seus membros são os Clubes e Associações, e não indivíduos. É minha sincera esperança que possamos, um dia, ultrapassar estas querelas e trabalhar verdadeiramente unidos pelo futuro do nosso futebol”, concluiu.
Além destes dois dirigentes que foram banidos de futebol nacional, o Democrata apurou também que vários dirigentes foram suspensos de futebol durante o último Congresso Ordinário da FFGB, entre os quais Bonifácio Malam Sanhá, Fernando Gomes “Fergó”, ambos antigos membros do Comité Executivo da FFGB, Saibana Baldé e entre outros nomes.
Importa salientar que Adilé Sebastião foi vice-presidente da FFGB para as áreas das Infraestruturas e Cooperação Internacional no primeiro mandato de Carlos Mendes Teixeira, mas acabou pedindo demissão, alegando motivos pessoais e profissionais em dezembro de 2021.
Por: Alison Cabral





















