Presidente da LGDH: “NÃO É A COMUNIDADE INTERNACIONAL QUE VAI RESOLVER OS PROBLEMAS DA GUINÉ-BISSAU”

O presidente da Liga Guineense dos Direitos Humanos (LGDH), Bubacar Turé, alertou hoje aos guineenses que o atual contexto político social da Guiné-Bissau motivada sobretudo pelo processo de eleições legislativas e presidenciais do mês de novembro próximo, não será resolvido pela Comunidade Internacional, mas sim pelos próprios cidadãos guineenses.

“Sempre chamamos atenção às pessoas e não só atores políticos, mas cidadãos em geral, de que não é a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), a União Africana (UA), as Nações Unidas (ONU), a União Europeia (UE) ou qualquer que seja a organização internacional que vão resolver os nossos problemas. O nosso problema tem de ser resolvido pelos próprios guineenses e devem ser capazes de utilizar a sua liberdade, apesar de todos os obstáculos e constrangimentos, com coragem de utilizar a sua liberdade para desafiar estes obstáculos e encontrar as soluções aos nossos problemas”, afirmou Bubacar Turé.

“Contudo, os parceiros internacionais podem ajudar-nos, mas o maior responsável para resolver os nossos problemas são os próprios guineenses e devemos ser capazes de interiorizar esta ideia e pô-la na prática”, defendeu Turé, lembrando que cada país tem o seu próprio interesse, organização internacional tem o seu próprio interesse geopolítico e estratégico”.  

O jurista e ativista dos direitos falava aos jornalistas no final do encontro entre a Sociedade Civil e a delegação do Fórum dos Anciãos da África Ocidental (WAEF), uma plataforma regional e apartidária composta por antigos Chefes de Estado e de Governo da África Ocidental.

A reunião, que decorreu mais de duas horas nas instalações da Casa dos Direitos em Bissau, serviu para as organizações da sociedade civil transmitirem a delegação dos anciões da África Ocidental liderada por Goodluck Jonathan, antigo Presidente da Nigéria, manifestarem a sua preocupação sobreo atual contexto pré-eleitoral, caracterizado pela tensão política e social sobre as medidas impostas pelas autoridades políticas e judiciais, segundo explicou aos jornalistas Turé.

Turé garantiu que os membros deste fórum mostraram-se bastante preocupados face à situação prevalecente na Guiné-Bissau e prometeram utilizar as influências necessárias para ajudar a resolver os problemas eleitorais, permitindo ao país realizar umas eleições livres, justas e transparentes no mês de novembro próximo.

“Naturalmente estamos a falar de uma estrutura que não tem poder de tomar decisões, mas é uma estrutura que tem alguma influência dentro de algumas instâncias internacionais, mas mostraram-se profundamente preocupados sobre o atual contexto. Inicialmente não tinham uma noção clara e abrangente da situação e se tivessem, fariam mais missões na Guiné-Bissau. Mas tomaram boa nota das nossas preocupações e prometeram utilizar as suas influências no sentido de ajudar a resolver os problemas nesta fase pré-eleitoral na Guiné-Bissau e buscar solução”, disse.

Questionado sobre um eventual adiamento das eleições legislativas e presidenciais, o presidente da organização não-governamental garantiu que não acredita no adiamento mais uma vez do processo eleitoral pelas autoridades. Contudo, lembrou que já foram adiadas várias eleições no país desde a queda do Parlamento em dezembro de 2023.

Sem apontar dedo a ninguém ou personalidade política, Turé limitou-se a afirmar que existem pessoas que estão com medo de enfrentar o processo eleitoral de 23 de novembro.

Após a reunião, o chefe da delegação do Fórum dos Anciãos da África Ocidental (WAEF), Goodluck Jonathan, não prestou declarações aos jornalistas presentes neste encontro, apesar da diversas tentativa da imprensa.

A missão que chegou ao país no último domingo, já avistou-se com o Presidente Cessante da República, o Governo e a Sociedade Civil, mas o encontro com os autores políticos não foi realizado e não foi comunicado de forma oficial o motivo do cancelamento com atores políticos.

O país voltou a mergulhar numa crise eleitoral, depois do Supremo Tribunal de Justiça ter negado as candidaturas da coligação PAI–Terra Ranka e da Aliança Patriótica Inclusiva – Cabaz Garandi (API-CG),

Por: Alison Cabral

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