O diretor nacional da campanha do candidato independente, Fernando Dias, denunciou que há retaliação a funcionários públicos na oposição na Guiné-Bissau e acusou Presidente da República cessante, Umaro Sissoco Embaló, concorrente a sua própria substituição nas eleições presidenciais de 23 de novembro, de estar a obrigar os funcionários públicos e os membros do governo a apoiá-lo.
“Os cidadãos estão cansados de verem os seus direitos suprimidos e violados. Não se pode torturar ninguém por diferença de opiniões, por abuso de poder ou por ter na sua posse armas”, afirmou, acrescentando que a estrutura política que suporta neste momento a candidatura de Fernando Dias não vai permitir a ninguém que esteja a exceder os limites e continue a abusar do seu poder e a colocar em causa todos os direitos fundamentais dos cidadãos consagrados na Constituição da República.
Mário Fambé, que falava na terça-feira, 28 de outubro de 2025, em Bissau, na posse dos membros de diferentes comissões nacionais da diretoria nacional da campanha de Fernando Dias, disse que se alguém quiser continuar a torturá-los, a bloquear salários dos funcionários que não estão com o regime e a matar estão dispostos, porque “faz tempo que muitas pessoas estão a viver sem o seu salário por decisão do regime”.
“Algumas pessoas estão a ser intimidadas a aceitar contra vontade própria a política do regime, caso contrário podem perder o emprego e outas já receberam propostas…O próprio Umaro Sissoco Embaló tem consciência de que não tem capacidade para suportar e dirigir este país ou representar a Guiné-Bissau”, acusou.
Denunciou que o Presidente cessante está a roubar de todos e a violar os direitos dos outros para seu interesse pessoal.
“Hoje, todos os membros e até ao último funcionário têm de estar a favor do governo. Quer ser Presidente da República e ao mesmo tempo primeiro-ministro. No nosso sistema, ele não pode desempenhar as duas funções ao mesmo tempo e dominar todas instituições do país”, afirmou.
Mário Fambé informou que ele e algumas pessoas que, ainda continuam fiéis a Umaro Sissoco Embaló, decidiram apoiá-lo nas presidenciais de 2019, porque a reditavam que teria soluções e porque também veio de uma estrutura militar, uma estrutura vertical, teria amor à pátria e promoveria a concórdia nacional.
“Mas concórdia de bater, de ameaçar pessoas e destruir partidos para apoiá-lo, nunca funcionaria”, frisou.
Preocupado com as decisões que o Supremo Tribunal de Justiça( STJ) vem tomando sobre o processo e que colocou o PAIGC e a Coligação PAI Terra Ranka e a API Cabas Garandi fora do processo, Mário Fambé desafiou Soares Sambú e Marciano Silva Barbeiro, figuras muito próximas do Presidente cessante à assumirem outra postura política, porque “excluir uns do processo e admitir outros é imputar absolutamente a democracia”.
“Soares Sambú e Marciano Silva Barbeiro são frutos do PAIGC, um partido que libertou o país e o administrou por vários anos. É verdade que governou o país como governou, mas quando chegou o momento de abdicar do regime do partido único todos os quadrantes do mundo criticaram, e o partido cedeu. Podia ter negado, mas aceitou e essas duas figuras estavam lá”, lembrou, para de seguida alertar que a democracia pode, sim, subir a personalide de alguém num determinado momento e outro baixá-la gravemente, tendo afirmado que se não fosse a democracia Umaro Sissoco Embaló nunca seria o Presidente da República.
“Nós, hoje, desse lado da oposição, criticamos a stuação do PAIGC na gestão do país e assumimos que era necessário fazer mudanças com um jovem que julgávamos tinha os mesmos objetivos que nós. Infelizmente, cometemos um erro fatal. Ele tinha uma agenda própria, não de desenvolvimento”, disse Mário Fambé.
Por sua vez, Nado Mandinga, Supervisor da campanha eleitoral de Fernando Dias da Costa na zona leste do país, acusou Umaro Sissoco Embaló, candidato a sua própria substituição, de protagonizar divisionismo nos partidos, na religião, nas etnias e de bater sistematicamente nas pessoas.
Convidou, neste sentido, Umaro Sissoco Embaló a aceitar regras que balizam a democracia, “a alternância de poder quando o povo quer mudança”.
Por: Filomeno Sambú





















