Campanha eleitoral: DOMINGOS SIMÕES PEREIRA AFIRMA QUE FORCAS ARMADAS SÃO TRANSFORMADAS EM INSTRUMENTO PESSOAL

O presidente do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), Domingos Simões Pereira, afirmou que as forças de defesa e segurança foram transformadas num instrumento de poder pessoal, desviando o seu papel de garante da estabilidade nacional.

No ato de apresentação pública do Manifesto do candidato Fernando Dias da Costa às eleições presidenciais, Simões Pereira denunciou ainda o aumento do tráfico de drogas no país, supostamente sob proteção política.

Segundo Simões Pereira, as escolas estão a degradar e os hospitais carecem de meios para o atendimento dos pacientes, tendo denunciado ainda que as viagens presidenciais constantes consomem uma verba avultada, que poderia servir para resolver os problemas dos setores sociais no país.

O Presidente cessante, Umaro Sissoco Embaló, tem citado as obras de requalificação da praça de Bissau como um dos pontos fortes da sua magistratura. Mas para Simões Pereira, os projetos de infraestruturas apresentados como símbolos de progresso escondem negócios duvidosos, por estarem a ser executados sem concursos transparentes, com o objetivo de beneficiar um grupo restrito, afirmando que a corrupção tornou-se um modo de governo, a arbitrariedade tornou-se uma norma e o medo um instrumento político.

O Presidente do PAIGC recordou, neste particular, que se assiste à asfixia da liberdade de expressão, à perseguição de ativistas e opositores, à censura da imprensa e à violação sistemática dos direitos humanos.

“Multiplicam-se relatos de ameaças diretas feitas pelo próprio chefe de Estado a cidadãos comuns, líderes de opinião, religiosos, jovens e mulheres. Na diáspora, o medo também se alastra. A voz crítica é vigiada, intimidada e, muitas vezes, silenciada”, denunciou, renunciando a criação da “milícia palaciana” que atua à margem de qualquer disposição legal ou constitucional, sem cadeia de comando legítima e por simples “ordens superiores”.

Acusou essa milícia palaciana de ser responsável por perseguições, sequestros, espancamentos, torturas e violações de direitos fundamentais, praticados impunemente contra todos aqueles que se recusam submeter-se à “vontade do dito soberano.”

Simões Pereira convidou o povo a pôr fim à violência, com o objetivo de restaurar a dignidade de repúdio à população guineense.

Por: Tiago Seide

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