Governo de transição: NOVO CHEFE DA DIPLOMACIA GUINEENSE ELEGE RETORNO À ORDEM CONSTITUCIONAL E APONTA QUATRO OBJETIVOS ESSENCIAIS

O novo ministro dos Negócios Estrangeiros, Cooperação Internacional e Comunidades, João Bernardo Vieira, que integra o Governo de Transição depois do golpe de estado, disse que assumiu o compromisso de trabalhar para o retorno à ordem constitucional, um calendário claro, público e verificável, entre quatro objetivos essenciais anunciados por ele em entrevista ao é-Global.  

João Bernardo Vieira disse que outras apostas serão as de criar condições para garantias de respeito pelos direitos humanos, liberdades fundamentais e funcionamento normal das instituições, abertura total ao diálogo com os internacionais, incluindo missões de avaliação, mediação e acompanhamento, bem como o “engajamento firme” na preservação da paz e segurança regional, que “é uma preocupação legítima da CEDEAO – Comunidade Económica dos Estado da África Ocidental- e da União Africana (UA).

“O nosso objetivo não é confrontar estas Organizações, mas sim mostrar-lhes que existe vontade política para estabilizar o país. A Guiné-Bissau não pode e não deve caminhar sozinha”, precisou, anunciando que um dos primeiros argumentos será o da responsabilidade do Estado e da necessidade de evitar um agravamento da crise.

“Nenhuma instituição internacional deseja ver a Guiné-Bissau afundar-se num ciclo de instabilidade sem fim”, declarou.

O político, que voltou a corrida ao cargo do Presidente da República com o apoio do PALDG, depois de o PAIGC recusar endossar a sua candidatura, tem defendido, antes e durante a campanha eleitoral, a reconciliação nacional e a “regeneração” da classe política guineense.

Afirmou que a decisão de integrar o Governo de Transição resulta de “um profundo sentido de responsabilidade com o Estado e o povo da Guiné-Bissau”.

“Num momento de grande incerteza institucional, não podemos permitir que o país mergulhe no isolamento, na desordem ou na rotura total com a comunidade internacional”, defendeu e disse que aceitou essa missão por acreditar que, mesmo em contextos difíceis, é possível criar pontes, restaurar a confiança e preparar as condições para o retorno à normalidade constitucional.

O Político nega que a sua presença do Governo de Transição liderado por Ilídio Vieira Té, ex-ministro das Finanças, funções que volta a exercer cumulativamente no seu governo, tenha a ver com apoiar qualquer rotura na Guiné-Bissau.

“A minha presença neste Governo não é um apoio a qualquer ruptura, mas sim um compromisso com a estabilidade, o diálogo e a defesa dos interesses permanentes da República. A Guiné-Bissau precisa de serenidade, diplomacia e capacidade de escutar todas as partes e estou aqui para isso”, esclareceu João Bernardo Vieira.

No plano diplomático disse que a Guiné-Bissau mantém relações históricas e sólidas com vários parceiros e que a sua principal missão “reforçar esses laços” e nesta fase crítica que o país a travessa, João Bernardo Vieira disse que se tivesse que priorizar parcerias, destacaria quatro níveis de parceria, nomeadamente a CEDEAO, que continua a ser o principal espaço político, económico e de segurança dos Estados-membros, a CPLP, com quem a Guiné-Bissau preserva afinidades históricas, culturais e linguísticas, a União Africana, que tem acompanhado de perto a evolução da situação no país e as Nações Unidas, que são um pilar essencial para a estabilização institucional. 

Além disso, prometeu manter diálogo construtivo com parceiros bilaterais, incluindo Senegal, Nigéria, Cabo Verde, Portugal, Espanha, Marrocos, Brasil e China, entre outros.

“O isolamento não é uma inevitabilidade. O que existe é um momento transitório, que estamos a trabalhar para ultrapassar com responsabilidade e transparência”, assinalou.

Relativamente ao desbloqueio da tensão diplomática com Portugal com a interdição que impede os órgãos de comunicação social portugueses (OCSP) de exercer na Guiné-Bissau, disse que os dois Estados têm uma relação histórica e estratégica que ultrapassa conjunturas políticas. 

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Cooperação Internacional e Comunidades destacou como prioritário restabelecer um diálogo franco, sereno e construtivo com Lisboa, razão pela qual o país está a trabalhar em três direções, nomeadamente redução imediata da tensão diplomática, através de canais formais e informais, reabertura da cooperação nos domínios da defesa, da educação, da saúde e da justiça, que “são setores onde Portugal sempre desempenhou um papel importante”.

“A Guiné-Bissau também está a trabalhar na revisão técnica e jurídica da situação dos OCS portugueses, de forma transparente e coordenada com as autoridades reguladoras”, revelou. 

“O objetivo não é criar privilégios nem exceções, mas garantir que todas as empresas portuguesas, ou de outros países, operem na Guiné-Bissau dentro das regras, com segurança jurídica e respeito mútuo. A nossa prioridade é restaurar a confiança e fortalecer uma parceria que sempre beneficiou ambos os povos”, insistiu.

Por: Redação

O Democrata/e-Global

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