Uma delegação do Comité dos Chefes de Estado-Maior da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) chega a Bissau na próxima segunda-feira, 22 de dezembro, para se reunir com o Alto Comando Militar para a Restauração da Segurança Nacional e Ordem Pública, na sequência da decisão resultante da 68.ª Sessão da Conferência de Chefes de Estado e de Governo da CEDEAO.
A delegação será constituída por quatro Chefes de Estado-Maior de diferentes países da CEDEAO, designadamente da Costa do Marfim, do Gana, da República Federal da Nigéria e do Senegal. A missão visa reunir-se com o Alto Comando Militar e transmitir a posição da Conferência dos Chefes de Estado e de Governo, tomada na 68.ª Cimeira daquela organização sub-regional, face à situação da crise política e militar da Guiné-Bissau, na sequência do golpe de Estado ocorrido no dia 26 de novembro.
A chegada da delegação à Guiné-Bissau foi anunciada pela representação da Comissão da CEDEAO em Bissau, através de uma carta com a data de 18 de dezembro, endereçada ao ministro dos Negócios Estrangeiros, Cooperação Internacional e das Comunidades, João Bernardo Vieira, informando que o Presidente da Comissão, Omar Alieu Touray, dirigirá uma delegação do Comité de Chefes de Estado-Maior da CEDEAO para Bissau, de 19 a 23 do mês em curso.
Uma fonte do Gabinete do ministro dos Negócios Estrangeiros, confirmou a veracidade da carta ao Jornal O Democrata.
A fonte avançou ao nosso jornal que o chefe da diplomacia guineense, João Bernardo Vieira, receberá amanhã domingo ministro senegalês da Integração Africana, dos Negócios Estrangeiros e dos Senegaleses no Estrangeiro, Cheikh Niang, contudo, não avançou os pormenores sobre a visita do ministro senegalês dos Negócios Estrangeiros a Bissau.
“O ministro dos Negócios Estrangeiros da Guiné-Bissau recebe o seu homólogo do Senegal, Cheikh Niang, no domingo. Já na segunda-feira, a delegação do Comité de Chefes de Estado-Maior da CEDEAO vai iniciar o seu contacto com o Alto Comando Militar, para transmitir a posição da Conferência sobre a situação da Guiné-Bissau”, confidenciou a nossa fonte.
Refira-se que os chefes de Estado e de Governo da CEDEAO, reunidos no passado dia 14 deste mês em Abuja, rejeitaram categoricamente o programa de transição de um ano proposto pelo Alto Comando Militar e exigiram a instauração de uma transição breve, liderada por um governo inclusivo que reflita o espectro político e a sociedade da Guiné-Bissau.
O referido governo inclusivo, de acordo com a Conferência dos Chefes de Estado e de Governo da CEDEAO, terá o mandato de realizar reformas constitucionais, legais e políticas, bem como organizar eleições credíveis, transparentes e inclusivas.
Ameaçaram no comunicado que em caso a exigência de instauração de uma transição breve, liderada por um governo inclusivo, não seja cumprida, vão impor sanções específicas a todos os indivíduos ou grupos de pessoas que obstruem o retorno à ordem constitucional.
Entretanto, o Presidente da República de Transição, General Horta Inta-a, disse na sexta-feira, 19 de dezembro, durante uma conferência de imprensa, que o Alto Comando Militar está aberto ao diálogo com a CEDEAO e com todas as organizações internacionais e incluindo as organizações da sociedade civil guineense.
Afirmou ainda na sua comunicação que não têm medo de sanções e que podem assumi-lás, “porque fizeram o golpe de Estado para evitar uma guerra civil na Guiné-Bissau”.
Por: Assana Sambú





















