A Direção Nacional de Campanha do candidato presidencial Fernando Dias da Costa acusou o major-general Horta Inta-A de tentar legitimar um alegado golpe de Estado na Guiné-Bissau, através de declarações públicas que considera “irresponsáveis, contraditórias e atentatórias à ordem constitucional”.
Em conferência de imprensa realizada no dia 19 de dezembro de 2025, o Presidente de Transição justificou a intervenção militar para interromper o processo eleitoral como uma medida preventiva para evitar uma alegada guerra civil.
Em reação a essa comunicação, a Direção Nacional de Campanha condena as declarações do general Horta Inta-A, defendendo que a definição do rumo político da Guiné-Bissau compete exclusivamente ao povo, através do voto, e não a grupos restritos no seio das Forças Armadas, tendo insistido que o golpe que interrompeu a publicação dos resultados eleitorais contraria a vontade soberana do povo guineense expressa nas urnas a 23 de novembro.
Sublinhou que os argumentos apresentados pelas autoridades militares, incluindo a suposta descoberta de depósitos de armas no país, nunca foram comprovados nem comunicados às instâncias competentes, sustentando que, perante o descrédito dessas justificações, novos argumentos estariam a ser fabricados de forma sucessivamente contraditória, tendo acusado ainda o general Horta Inta-A e outros oficiais de atuarem a mando do ex-presidente Umaro Sissoco Embaló, com o objetivo de preparar o seu regresso ao poder, através de processos eleitorais considerados “artificialmente controlados e desprovidos de credibilidade democrática”.
Por outro lado, a Diretoria critica as propostas de revisão da Constituição e da lei eleitoral, classificadas como “ilegítimas e destinadas a institucionalizar o que define como um golpe e a perpetuar a usurpação do poder”.
No documento, a diretoria estabelece uma suposta ligação direta entre o regime de Umaro Sissoco Embaló e a expansão da criminalidade organizada, incluindo o tráfico de droga, armas e o branqueamento de capitais.
Como argumentos, são mencionadas várias aterragem de aeronaves no Aeroporto Internacional Osvaldo Vieira e noutros pontos do país, alegadamente monitorizadas por agências internacionais de combate ao narcotráfico, destacando, em particular, a apreensão, em setembro de 2024, de uma aeronave proveniente da Venezuela com 2,6 toneladas de cocaína, considerada como prova do agravamento do narcotráfico durante o regime deposto.
Lê-se ainda que os suspeitos condenados em grandes processos de apreensão de droga teriam sido libertados ou visto os seus bens devolvidos após a ascensão de Umaro Sissoco Embaló ao poder, citando operações como “Carapau e Navarra”.
Rejeita as acusações de financiamento ilícito da candidatura de Fernando Dias da Costa, argumentando que as mesmas pessoas agora visadas teriam apoiado a candidatura de Umaro Sissoco Embaló em 2019 e exercido funções oficiais recentes no Estado.
Entretanto, a Diretoria de Fernando Dias Da Costa lamenta a posição atribuída ao presidente do Movimento Nacional da Sociedade Civil para a Paz, Democracia e Desenvolvimento, Fodé Caramba Sanhá, que teria afirmado que a divulgação dos resultados eleitorais poderia conduzir o país a uma guerra civil.
A posterior nomeação de Caramba Sanhá e de três vice-presidentes para o Conselho Nacional de Transição é apontada como incompatível com a defesa da democracia e do Estado de Direito.
Entre as denúncias apresentadas, consta o que a campanha classifica como um “assalto criminoso” à Comissão Nacional de Eleições, incluindo a apreensão de atas eleitorais, destruição de equipamentos informáticos, detenções arbitrárias de magistrados e a prisão ilegal de vários cidadãos.
A manutenção da fotografia oficial de Umaro Sissoco Embaló em gabinetes do Estado é igualmente citada como indício de que a intervenção militar teve como objetivo impedir a divulgação dos resultados eleitorais.
Distingue ainda os oficiais e soldados que, segundo a diretoria, permaneceram fiéis à Constituição e afastados da ação militar.
A Diretoria exige a libertação imediata e incondicional de todos os cidadãos detidos ilegalmente e solicita esclarecimentos sobre a apreensão, em Portugal, de cerca de cinco milhões de euros transportados num jato privado proveniente da Guiné-Bissau, envolvendo alegadamente pessoas próximas do ex-presidente Umaro Sissoco Embaló.
Por fim, apela à comunidade internacional para que não permaneça inativa face à situação política no país e manifesta gratidão ao Parlamento Europeu pelo debate e pela aprovação de uma resolução que condena o que classifica como “autogolpe” e exige a divulgação imediata dos resultados eleitorais.
Por: Tiago Seide























