A ministra da Mulher e Solidariedade Social, Cadi Florença Correia Dabó, afirmou que os instrumentos de defesa e promoção dos direitos das mulheres carecem, amplamente, de divulgação e apropriação, para que as mulheres possam defender‑se do machismo.
A governante falava esta sexta-feira, 30 de janeiro de 2026, por ocasião da comemoração do Dia Nacional das Mulheres Guineenses, sob o lema: “Mindjer Guineense na Construçon di Paz ku Stabilidadi Sosial”.
Na sua comunicação, sublinhou que as mulheres devem demonstrar a sua valentia, solidariedade e sabedoria, anunciando que, neste momento, o Governo está empenhado na sensibilização, identificação, tratamento e inserção económica de mulheres e jovens raparigas vítimas de sofrimento, particularmente no que diz respeito à promoção da sua saúde.

“Este ano, a data está a ser celebrada num contexto em que todas nós, mulheres, somos convocadas, enquanto mães, a dar o nosso maior contributo como um sinal inequívoco da nossa valentia, solidariedade e sabedoria”, reforçou.
No seu discurso, Cadi apelou aos líderes tradicionais, religiosos e de opinião, às associações de mulheres, às associações de jovens e às organizações da sociedade civil para se juntarem à campanha de sensibilização, sobretudo no apoio às mulheres que sofrem desse mal.
Para a ministra, esta é a dinâmica que o Governo liderado por Ilídio Vieira Té pretende ver reforçada em conjunto com o processo de desenvolvimento. Por isso, convidou as jovens raparigas a abraçarem a formação académica, pois “o processo de desenvolvimento depende, em grande medida, delas”.
Relativamente ao Dia da Mulher Guineense, a ministra destacou que Titina Silá foi uma das mulheres que combateu incansavelmente pela independência da Guiné‑Bissau.

Realçou, neste particular, que “é através dessa figura emblemática que todos os guineenses recordam, com cabeça erguida, os préstimos assinaláveis que a mulher guineense começou a dar para a sua afirmação social, cultural e política”.
Afirmou ainda que o processo da luta de libertação nacional marca o período da afirmação da mulher guineense na arena pública, com participação nas grandes decisões relativas aos destinos do país.
Encorajou as mulheres a manterem-se firmes em qualquer área escolhida para a sua intervenção social, política e económica, pois “tudo o que fazemos tem o seu próprio propósito”.
Por sua vez, Filomena Lopes, em representação da sociedade civil, afirmou que a mulher guineense tem sido, historicamente, a “protagonista silenciosa”, sobretudo nos momentos mais difíceis da vida nacional, marcados por instabilidade política, crises económicas, insegurança social e desafios estruturais.
Enfatizou que, nos períodos mais críticos, as mulheres asseguram a sobrevivência das famílias, promovem a convivência pacífica nas comunidades, educam as gerações futuras e atuam como mediadoras de conflitos. Contudo, reconheceu que ainda persistem “desafios profundos”, nomeadamente a desigualdade de género, a exclusão nos processos de tomada de decisão, a violência baseada no género e o acesso limitado a oportunidades económicas, educativas e políticas.
“Neste 30 de Janeiro, apesar da situação política, reafirmamos que não pode haver paz duradoura, segurança humana, estabilidade social nem desenvolvimento inclusivo sem a participação plena, efetiva e significativa das mulheres”, exortou.
Sublinhou que os desafios futuros exigem reforço do empoderamento feminino, implementação de políticas sensíveis ao género, valorização da liderança feminina e cumprimento dos compromissos nacionais, regionais e internacionais assumidos no âmbito das convenções assinadas e ratificadas no quadro da União Europeia (UE), da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e das Nações Unidas (NU).
Por: Natcha Mário M’bundé





















