FRENTE POPULAR APELA À UNIÃO EUROPEIA PERANTE AGRAVAMENTO DOS DIREITOS HUMANOS NA GUINÉ‑BISSAU

A Frente Popular exorta a União Europeia a reavaliar, “com urgência e sentido de responsabilidade política”, o seu posicionamento perante a rápida degradação dos direitos humanos e as reiteradas tentativas de usurpação da vontade popular na Guiné‑Bissau, em consonância com a Resolução do Parlamento Europeu de 18 de dezembro de 2025.

Em comunicado, datado de 10 de fevereiro de 2026, consultado pelo O Democrata, a organização cívica denuncia uma nova invasão criminosa à Casa dos Direitos, em Bissau, levada a cabo por homens armados e encapuzados. Segundo a nota, os atacantes expulsaram à força todos os membros da instituição, bem como o Embaixador da União Europeia, que se encontrava no local em visita guiada.

“O ato de violência ostensiva e humilhação institucional soma‑se a uma sequência alarmante de episódios repressivos que, nos últimos anos, resultaram em sequestros e espancamentos brutais de cidadãos, detenções arbitrárias, ameaças, intimidações e invasões repetidas da Casa dos Direitos”, lê‑se no documento. A Frente Popular sublinha que estas operações de terror e violência — dirigidas contra organizações de direitos humanos e os seus membros e executadas por grupos armados ao serviço de um “regime usurpador” — configuram uma estratégia deliberada de silenciamento destinada a asfixiar a sociedade civil, esmagar a dissidência e impor o medo como instrumento de governação.

“Trata‑se de uma escalada clara destinada à consolidação de uma ditadura na Guiné‑Bissau”, alerta a organização, condenando o que classifica como “um ato vergonhoso, brutal e atentatório da dignidade nacional, concebido para intimidar, coagir e chantagear os membros do consórcio da Casa dos Direitos e o seu principal parceiro internacional, a União Europeia”.

Por fim, a Frente Popular responsabiliza direta e integralmente as atuais autoridades de facto por qualquer atentado contra a vida, integridade física ou segurança dos membros da Casa dos Direitos, que afirma serem vítimas de “perseguição sistemática e organizada”.

“A repressão não silenciará a verdade. A violência não derrotará a liberdade”, conclui o comunicado.

Por: Tiago Seide

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