A presidente da Associação das Mulheres Profissionais da Comunicação Social (AMPROCS), Paula Silva Melo, defendeu que o tratamento da informação deve ser sensível à questão de género, por considerar que a discriminação constitui uma violação dos direitos humanos.
Paula Silva Melo falava esta quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026, durante um seminário de reforço de capacidades destinado a 25 jornalistas e associadas da AMPROCS, realizado em Bissau.
A formação insere-se nas ações programadas do Observatório da Mulher na Guiné-Bissau, no âmbito da 12.ª edição da Quinzena dos Direitos, com o objetivo de contribuir para uma cobertura mediática promotora da igualdade, da justiça e dos direitos humanos, em particular dos direitos das mulheres.
Segundo a organização, o encontro visa sensibilizar os profissionais da comunicação social sobre a importância da perspetiva de género na produção e difusão da informação.
No seu discurso, Paula Silva Melo denunciou que as mulheres profissionais da comunicação social continuam a enfrentar discriminação e assédio sexual dentro dos órgãos de comunicação social e em diferentes esferas da sociedade.

“Temos de trabalhar sem exclusão, porque excluir uma parte da sociedade é uma violação de direitos. Não pode haver diferenças de género”, afirmou, acrescentando que ainda existe exclusão das mulheres nos órgãos de comunicação social, inclusive no momento de agendamento das pautas jornalísticas.
Segundo a presidente da AMPROCS, as agendas de grande relevância são frequentemente atribuídas aos homens, enquanto as mulheres ficam responsáveis por temas considerados de menor importância.
“Em muitos casos, quando chegam ao local, são as mulheres que aparecem apenas para lançar apelos de socorro. Por exemplo, nas juntas médicas, elas surgem mais no momento do lamento ou do pedido. Deve existir equilíbrio de género em todos os aspetos”, defendeu.
Paula Silva Melo destacou ainda que a classe jornalística desempenha um papel fundamental na sociedade para enfrentar diversas situações, reconhecendo, no entanto, que o processo de inclusão não será fácil. Ainda assim, considerou necessário redobrar esforços para alcançar um maior equilíbrio social.
De acordo com a responsável, a AMPROCS vai continuar a trabalhar com parceiros como a Liga Guineense dos Direitos Humanos, a MIGUILAM e o Projeto Observatório da Mulher na Guiné-Bissau.
A jornalista revelou também que uma das principais violações enfrentadas pelas mulheres da classe é o assédio sexual, embora reconheça que os homens também podem ser vítimas dessa prática.
“Os responsáveis pelos órgãos de comunicação social devem promover as mulheres com base na capacidade e no mérito. As mulheres ocupam poucos cargos de responsabilidade nos órgãos de comunicação social”, criticou, apontando funções como chefes de redação e diretores.
Por: Jacimira Segunda Sia






















