A antiga ministra da Saúde Pública, Magda Nely Robalo, manifestou solidariedade para com mais de uma centena e meia de vítimas do incêndio registado na cidade de Bafatá, afirmando que o fogo deflagrado numa estação de venda de combustível é “evitável” e “criminoso”, defendendo que os responsáveis devem ser levados à justiça.
Na sua reação pública ao incêndio, partilhada na sua página oficial no Facebook, Magda Robalo — que também presidiu ao Alto Comissariado de Combate à Pandemia da Covid-19 na Guiné-Bissau — sustenta que os proprietários do posto de venda de combustível, bem como as entidades que autorizaram a sua instalação, devem ser responsabilizados pela tragédia.
“O(s) dono(s) do posto de venda de combustível, assim como quem autorizou a sua instalação, são responsáveis por esta tragédia, que em qualquer país normal deveria ter levado à mobilização imediata das autoridades para uma ação vigorosa de apoio de emergência e solidariedade para com as vítimas e os seus familiares, bem como à suspensão das festividades em curso”, lê‑se na publicação.
Este domingo, 15 de fevereiro de 2026, uma das vítimas do incêndio foi evacuada para tratamento médico especializado no Hospital Nacional Simão Mendes, em Bissau. A vítima integra um grupo de 17 pessoas com queimaduras que deram entrada no serviço de urgência do maior estabelecimento hospitalar da Guiné-Bissau, todas provenientes da cidade de Bafatá.
Para a ex-ministra e médica clínica geral, numa situação desta dimensão, as autoridades deveriam ter mobilizado de imediato uma ação vigorosa de emergência e solidariedade para com as vítimas e os seus familiares, bem como ponderado a suspensão das festividades em curso.
De acordo com a sua posição, mais de 150 cidadãos foram vítimas de uma atitude de negligência coletiva, resultante do incumprimento das normas que regulam a instalação de postos de venda de produtos inflamáveis.
A antiga responsável pela pasta da Saúde considera que o sucedido expõe graves fragilidades ao nível da prevenção e da capacidade de resposta a emergências no país, bem como um profundo desrespeito pelas leis e regulamentos em vigor.
“E assim vai um país onde as capacidades de prevenção e resposta a emergências de toda a ordem são medíocres, onde da lei magna aos regulamentos sectoriais não são respeitados e onde, infelizmente, a vida humana não tem valor”, insistiu.
Magda Robalo descreveu como “horríveis” as imagens dos feridos, muitos com queimaduras de segundo e terceiro grau, alertando para a possibilidade de sequelas permanentes, algumas delas debilitantes ou incapacitantes.
A antiga ministra questiona ainda quem assumirá a responsabilidade pelo futuro das vítimas, nomeadamente no que diz respeito ao seu sustento pessoal e familiar.
Na sua reflexão, aponta também para uma alegada falha do Estado por omissão, ao não garantir o cumprimento das leis nem a proteção dos cidadãos contra riscos desta natureza.
“A vida e os direitos de mais de 150 cidadãos foram negligenciados e postos em risco”, sublinha.
Apesar do cenário, Magda Robalo defende que o caos não é inevitável nem irreversível, apelando a uma abordagem serena, porém firme, na responsabilização dos culpados e na implementação de medidas preventivas eficazes.
Informações recolhidas pelo Jornal O Democrata junto das autoridades governativas indicam que 163 pessoas ficaram sinistradas na sequência do incêndio ocorrido num posto de combustível que armazenava cinco mil litros de gasolina e 20 tambores de gasóleo.
Uma fonte do O Democrata em Bafatá não soube precisar o número de vítimas evacuadas este domingo para Bissau, após a visita dos ministros da Administração Territorial e Poder Local, Carlos Nelson Sano, e do Interior, Mamasaliu Embaló, ao local do incêndio.
Contudo, a mesma fonte adiantou que a maioria das vítimas permanece internada no Hospital Regional de Bafatá, onde recebe tratamento, embora o grau das queimaduras não permita que muitos continuem a ser assistidos apenas naquela unidade, devido à gravidade dos casos.
Por: Tiago Seide






















