ENVIADO ESPECIAL DA UA AFIRMA HAVER ESPAÇO PARA MELHORAR A SITUAÇÃO NA GUINÉ-BISSAU

O Enviado Especial da União Africana (UA) para a Guiné-Bissau, Patrice Trovoada, afirmou esta sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026, que existe espaço para melhorar a situação política e institucional do país.

Trovoada sublinhou que a União Africana, em coordenação com a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), está a trabalhar no sentido de estabelecer um diálogo permanente com as autoridades militares e com todos os atores da vida política e social da Guiné-Bissau.

O ex-primeiro-ministro de São Tomé e Príncipe destacou que esse diálogo deve assentar na criação de um clima de confiança e de contenção dos ânimos, envolvendo todas as partes, para que, no final do período de transição, sejam realizadas eleições livres, democráticas e participativas. Segundo ele, esse processo permitirá ao país retomar o curso normal da sua vida política e social, em benefício da população.

Patrice Trovoada falava durante uma conferência de imprensa realizada num dos hotéis da capital, Bissau, onde fez o balanço dos encontros mantidos com as autoridades nacionais e com a oposição guineense.

Assumiu publicamente que as duas organizações — União Africana e CEDEAO — não pretendem substituir os guineenses nesse processo, sublinhando que a Guiné-Bissau pertence aos guineenses.

Neste contexto, lembrou que a Guiné-Bissau, enquanto membro e signatária da Carta da União Africana, atualmente suspensa, deve continuar a ser acompanhada pela organização continental.

“Levo como primeira impressão a disponibilidade de todos os atores políticos, militares e da sociedade civil para contribuirmos para que a Guiné-Bissau regresse, o mais rapidamente possível, à normalidade constitucional e democrática, credível e aceitável para todos”, enfatizou.

Trovoada revelou aos jornalistas que foi recebido pelo Presidente da República de Transição, pelo Primeiro-Ministro, pelo Presidente do Conselho Nacional de Transição, pelo Procurador-Geral da República, pela Comissão Nacional de Eleições, pelo candidato às eleições presidenciais Fernando Dias da Costa e pelo vice-presidente do PAIGC, Geraldo Martins.

Informou ainda que, no âmbito da sua missão em Bissau, solicitou às autoridades um encontro com o líder do PAIGC, Domingos Simões Pereira, o que “ainda não aconteceu”.

“Espero que, antes da minha partida, consiga encontrá-lo para saber como se encontra na situação de prisão domiciliária”, acrescentou.

O Enviado Especial da UA informou igualmente que, durante esta visita, reuniu-se com os parceiros da Guiné-Bissau, nomeadamente a CEDEAO, o grupo dos embaixadores africanos, o Embaixador de Portugal, o representante do Sistema das Nações Unidas e o Embaixador da União Europeia. Segundo disse, sentiu que todos estão interessados em ver um futuro melhor para o país.

Patrice Trovoada sublinhou que é necessário continuar a trabalhar de forma séria, com base em princípios, e demonstrar disponibilidade para ajustar posições, de modo a alcançar resultados satisfatórios.

Revelou ainda que, na última cimeira da União Africana, foi reafirmado que todos os conflitos têm causas profundas, mas que, quando chegam ao fim, as soluções devem ser credíveis e duradouras. Nesse sentido, garantiu que a UA continuará a trabalhar nesta perspetiva, contando com a colaboração de todos, sobretudo das autoridades atualmente no poder.

Por: Aguinaldo Ampa

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