A Comissão Permanente do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) apelou ao Alto Comando Militar para um “diálogo sério e construtivo” com as forças políticas representativas da sociedade guineense, com vista à superação da crise política e ao retorno à normalidade constitucional.
De acordo com uma resolução do órgão, consultada pelo O Democrata, está em preparação um Manifesto Político Nacional, subscrito pelas coligações PAI‑TR e API‑CG, que convida os guineenses em geral e, em particular, o Alto Comando Militar, a participarem num diálogo inclusivo destinado a encontrar soluções para a atual crise política no país.
A decisão foi tomada durante a reunião virtual da Comissão Permanente, realizada no dia 27 de fevereiro de 2026, sob a presidência de Califa Seidi, Vice‑Presidente do PAIGC. O encontro analisou, entre outros pontos, a situação política interna do Partido, as celebrações do 70.º Aniversário do PAIGC, a assinalar‑se a 19 de setembro de 2026, bem como a realização do XI Congresso do PAIGC, previsto para decorrer ainda este ano.
Neste contexto, a Comissão Permanente exortou os militantes e simpatizantes do Partido a mobilizarem‑se para a execução da Agenda Política 2026, bem como para a preparação das celebrações do 70.º aniversário e do XI Congresso Ordinário do PAIGC.
O órgão voltou igualmente a condenar aquilo que considera ser uma perseguição política contra dirigentes do Partido, com destaque para Domingos Simões Pereira, Presidente do PAIGC, que permanece em prisão domiciliária sem que exista qualquer decisão judicial que a sustente. Segundo a deliberação, Domingos Simões Pereira foi ouvido no Tribunal Militar Superior na qualidade de declarante, não lhe tendo sido aplicada qualquer medida de coação.
“Esta situação representa uma atuação arbitrária do regime, a qual merece o nosso total repúdio”, lê‑se na resolução.
A Comissão Permanente exige, por isso, a libertação imediata e incondicional de Domingos Simões Pereira, permitindo‑lhe a retoma plena da sua atividade política, bem como a reabertura da Sede Nacional do PAIGC e de todas as sedes regionais, de modo a assegurar o normal funcionamento das atividades do Partido.
Por fim, o PAIGC apelou às organizações internacionais e regionais, em particular à CEDEAO, para que continuem a acompanhar de perto a situação política da Guiné‑Bissau, neste momento considerado difícil, e para que sejam respeitadas as decisões adotadas na Cimeira de Abuja.
Por: Tiago Seide






















