CONTAS EXTERNAS 2024 REVELAM EXCEDENTE E REFORÇAM APELO À DIVERSIFICAÇÃO ECONÔMICA 

O Primeiro‑ministro e ministro das Finanças Públicas, Ilídio Vieira Té, defendeu que a Guiné‑Bissau precisa reduzir a sua vulnerabilidade externa, aumentar o valor acrescentado nacional, estimular o investimento produtivo e reforçar a capacidade exportadora em setores estratégicos como a agro‑indústria, as pescas, o turismo e os serviços logísticos.

Ilídio Vieira Té falava esta quarta‑feira, 4 de março de 2026, durante a jornada de divulgação das Contas Externas da Guiné‑Bissau referentes ao ano de 2024, promovida pelo Banco Central dos Estados da África Ocidental (BCEAO), numa unidade hoteleira da cidade de Bissau.

A balança de pagamentos global da Guiné‑Bissau registou um excedente de 11.368,2 milhões de FCFA em 2024, em contraste com os défices de 23.145,1 milhões em 2023 e 63.846,1 milhões em 2022. De acordo com o documento consultado, o ano de 2024 foi marcado por uma quase estabilização da atividade económica global face a 2023, num contexto de recuperação da procura indireta em várias economias avançadas.

Segundo as estimativas publicadas em outubro de 2025 pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), a economia mundial cresceu 3,3% em 2024, mantendo o mesmo ritmo de crescimento observado em 2023.

“A taxa de crescimento real do PIB da Guiné‑Bissau está projetada em 4,1% em 2024” – BCEAO

A atividade económica na União Económica e Monetária Oeste‑Africana (UEMOA) manteve‑se globalmente dinâmica em 2024. De acordo com as estimativas disponíveis, o PIB da União cresceu 6,2%, após um aumento de 5,3% em 2023.

O crescimento do PIB real foi impulsionado sobretudo pelo setor terciário, que contribuiu com 3,3 pontos percentuais (p.p.), refletindo o forte desempenho do comércio e dos serviços. Os setores primário e secundário também contribuíram para o crescimento económico, com 1,5 p.p. e 1,4 p.p., respetivamente.

Ao nível nacional, a taxa de crescimento real do PIB está projetada em 4,1% em 2024, contra 5,8% em 2023. A inflação média anual situou‑se em 3,5%, face aos 7,2% registados no ano anterior. Neste contexto, as transações económicas e financeiras da Guiné‑Bissau com o resto do mundo resultaram num excedente da balança de pagamentos no final de 2024.

Este desempenho é explicado, essencialmente, pelo forte aumento das entradas líquidas na balança financeira e pelo reforço do excedente da balança de capital, apesar de uma ligeira deterioração do défice da balança corrente.

O chefe do Governo sublinhou que a divulgação das Contas Externas não constitui um mero exercício estatístico, mas sim um instrumento de transparência, de prestação de contas e de apoio à decisão política e empresarial.

“As projeções indicam um crescimento do PIB real na ordem de 5,5% em 2026” – PM

Ilídio Vieira Té alertou que as contas externas continuam a refletir uma forte concentração das exportações na castanha de caju, situação que, segundo afirmou, expõe a economia nacional a choques de preços e de procura nos mercados internacionais.

“Esta realidade evidencia, de forma inequívoca, a necessidade de acelerar o processo de diversificação produtiva e de transformação local da produção agrícola”, advertiu.

O governante referiu ainda que as perspetivas económicas para os próximos anos são encorajadoras, com projeções que apontam para um crescimento do PIB real em torno de 5,5% em 2026, sustentado pela recuperação da atividade agrícola, pelo aumento do investimento público e privado e pelo reforço da confiança dos parceiros internacionais.

No seu discurso, destacou que o ano de 2024 decorreu num contexto internacional particularmente exigente, marcado por tensões geopolíticas persistentes, volatilidade dos preços das matérias‑primas e condições financeiras globais ainda restritivas. Ainda assim, frisou que a economia mundial demonstrou resiliência, com um crescimento estimado em 3,3%.

Ao nível interno, sublinhou que o crescimento económico de 4,1% em 2024, inferior aos 5,8% de 2023, reflete sobretudo a evolução do setor agrícola e os constrangimentos externos que afetaram o desempenho das exportações.

“O Governo tem plena consciência destes desafios. Por essa razão, tem vindo a implementar um conjunto de reformas estruturais orientadas para reforçar a sustentabilidade das finanças públicas, melhorar o ambiente de negócios, modernizar as infraestruturas económicas e aumentar a competitividade externa do país”, afirmou.

O Primeiro‑ministro explicou ainda que o programa trienal apoiado pelo FMI, no âmbito da Facilidade Alargada de Crédito (FEC), tem sido determinante para a consolidação orçamental, a melhoria da gestão da dívida pública e o reforço dos fundamentos macroeconómicos.

“Contas Externas da Guiné‑Bissau em 2024 apontam para um saldo global excedentário superior a 11 mil milhões de FCFA”

Por sua vez, a diretora nacional do BCEAO, Zenaida Maria Lopes Cassamá, explicou que as Contas Externas — que englobam a Balança de Pagamentos e a Posição de Investimento Internacional — constituem instrumentos analíticos fundamentais para o registo sistemático das transações comerciais e financeiras entre um país e o resto do mundo.

Segundo a responsável, a jornada teve como objetivo a apresentação dos resultados definitivos da Balança de Pagamentos de 2024, num contexto internacional ainda marcado por incertezas geopolíticas e elevada volatilidade dos mercados.

Zenaida Cassamá destacou que os resultados de 2024 apontam para um saldo global excedentário de 11,3 mil milhões de FCFA, após saldos deficitários de 23,1 mil milhões em 2023 e 63,8 mil milhões em 2022, evidenciando uma melhoria significativa da posição externa do país.

Este desempenho, acrescentou, reflete sobretudo a evolução favorável das contas financeiras e das transferências correntes, permitindo uma inversão da trajetória recente do saldo global da balança de pagamentos e reforçando a resiliência externa e a estabilidade macroeconómica.

Não obstante os progressos alcançados, a diretora nacional do BCEAO sublinhou que persistem desafios estruturais, que exigem continuidade e aprofundamento das reformas, bem como uma coordenação mais estreita entre os diferentes atores económicos.

Entre as prioridades estratégicas, destacou a necessidade de diversificação da base produtiva, redução da dependência estrutural das importações, reforço da atratividade do país para o Investimento Direto Estrangeiro (IDE) e consolidação dos mecanismos de acompanhamento do repatriamento das receitas de exportação.

Por: Assana Sambú

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