ENDA SANTÉ PROMOVE REUNIÃO REGIONAL SOBRE OS RISCOS DO USO DE DROGAS ILÍCITAS

A organização não governamental Enda Santé Guiné-Bissau promoveu, esta quarta‑feira, 04 de março de 2026, em Bissau, uma reunião regional dedicada à problemática e aos riscos do uso de drogas ilícitas, sob o lema: “Trabalhar em conjunto para a saúde pública: minimizar os danos e os riscos do uso de drogas ilícitas nos países de língua portuguesa.”

O encontro reúne técnicos de saúde da Guiné‑Bissau, Portugal, Senegal e Brasil, com o objetivo de partilhar evidências científicas, experiências de implementação no terreno e promover uma reflexão estratégica conjunta.

A reunião visa contribuir para o reforço do planeamento, da coordenação e da operacionalidade das respostas nacionais e regionais aos consumos problemáticos de drogas e às epidemias associadas, nomeadamente as infeções por VIH/SIDA, as hepatites virais e outras morbilidades.

Na abertura do evento, o Embaixador de Portugal na Guiné‑Bissau, Miguel Cruz Silvestre, destacou a importância do reforço de capacidades, da promoção do diálogo e do apoio a respostas baseadas em evidências científicas e no respeito pelos direitos humanos.

O diplomata português sublinhou ainda que Portugal tem sido pioneiro na adoção de políticas duradouras sobre drogas, centradas na saúde pública, na prevenção, no tratamento e na redução de riscos associados ao consumo de substâncias ilícitas.

Segundo Miguel Cruz Silvestre, os resultados dessas políticas são amplamente reconhecidos além‑fronteiras, refletindo‑se na redução das infeções por VIH/SIDA e hepatites virais, na diminuição da mortalidade associada ao consumo de drogas e numa melhor capacidade de resposta dos sistemas de saúde.

O embaixador alertou, no entanto, que na Guiné‑Bissau os dados disponíveis evidenciam a necessidade urgente de reforçar a prevenção, expandir os programas de redução de riscos e garantir o acesso universal ao tratamento.

Por sua vez, o Coordenador Nacional de Combate à Droga na Guiné‑Bissau, Francisco Sanhá, afirmou que a minimização do impacto das drogas ilícitas assenta em três pilares fundamentais:
a prevenção, que exige investimento na educação e em campanhas de sensibilização dirigidas a crianças e jovens;
o tratamento e a reinserção social, assegurando acesso a cuidados de saúde, apoio psicológico e oportunidades de reintegração;
e a coordenação internacional, através do reforço da cooperação entre os países, com partilha de experiências, boas práticas e recursos.

Francisco Sanhá levantou ainda desafios relacionados com a transformação das políticas públicas nacionais e internacionais em ações locais eficazes, questionando como garantir que a cooperação entre países e instituições se traduza em benefícios concretos para as comunidades, em oportunidades para os jovens, em apoio às famílias e em esperança para as pessoas em situação de dependência.

No seu discurso, sublinhou que a reunião regional constitui uma oportunidade única de reflexão conjunta, permitindo identificar caminhos, propor soluções e reafirmar que a luta contra o impacto das drogas ilícitas só será eficaz se for construída com as comunidades e para as comunidades.

O coordenador manifestou a expectativa de que, no final do encontro, sejam alcançados acordos concretos, estratégias conjuntas e uma visão comum, com o objetivo de proteger vidas, fortalecer comunidades e assegurar que o futuro dos países de língua portuguesa não seja comprometido pelo flagelo das drogas ilícitas.

Por: Carolina Djemé

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *