O Grupo de Reflexão, constituído por altos dirigentes, membros do Comité Central e do Bureau Político do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), apelou ao reforço do diálogo interno no partido e instou os veteranos a assumirem a iniciativa de uma Plataforma de Diálogo e Reconciliação, com vista ao fortalecimento da unidade no seio do partido libertador.
O apelo foi lançado no sábado, 8 de março de 2026, durante uma conferência de imprensa realizada numa unidade hoteleira de Bissau, pelo porta‑voz do grupo, Carlos Pinto Pereira (Caía). No encontro estiveram presentes João Bernardo Vieira, ministro dos Negócios Estrangeiros, Cooperação Internacional e das Comunidades; Carlos Nelson Sano, ministro da Administração Pública e Poder Local; Mário Muzante, ministro da Energia; e o presidente do Conselho de Administração do Instituto Marítimo Portuário (IMP), Igualdino Afonso Té.
Na ocasião, o porta‑voz afirmou que o PAIGC não pode continuar a ser enfraquecido por políticas de segregação, expulsão ou afastamento de militantes e dirigentes, sublinhando que este tipo de práticas não representa uma solução para o partido.
Segundo Carlos Pinto Pereira, a criação de um espaço de diálogo interno permitirá promover a união entre os militantes e facilitar a reintegração de antigos dirigentes, tornando o partido mais forte, coeso e capaz de conduzir os destinos do país.
O grupo exortou ainda a direção do PAIGC a iniciar, com a maior brevidade possível, os trabalhos preparatórios para a realização do congresso, de modo a prevenir eventuais anomalias no processo interno.
“Qualquer tentativa de criar irregularidades no seio do partido antes das eleições encontrará uma oposição firme por parte dos seus membros”, alertou o grupo, pela voz do seu porta‑voz.
Para o Grupo de Reflexão, o congresso deve ser organizado o mais rapidamente possível, tendo em conta que as autoridades já agendaram as eleições gerais para o mês de dezembro.
“Temos eleições em dezembro e não podemos esperar até novembro para realizar o congresso, até porque subsiste a questão dos prazos para o depósito das candidaturas”, advertiu.
O também ministro da Justiça e dos Direitos Humanos no governo de transição defendeu que o congresso do PAIGC, inicialmente previsto para novembro, seja antecipado, de forma a evitar que o partido fique impedido de participar nas eleições gerais deste ano.
Questionado pelo repórter de O Democrata sobre a prisão domiciliária do presidente do PAIGC, Domingos Simões Pereira, o porta‑voz do grupo afirmou que não lhes compete comentar a decisão das autoridades.
“Domingos Simões Pereira encontra‑se em prisão domiciliária por decisão das autoridades competentes, e cabe a essas entidades prestar esclarecimentos sobre o assunto”, afirmou.
Interpelado sobre a eventual existência, no seio do grupo, de dirigentes com intenção de concorrer à liderança do partido, respondeu que qualquer membro que reúna as condições estatutárias deve estar em condições de apresentar a sua candidatura.
Por sua vez, João Bernardo Vieira, antigo porta‑voz do PAIGC, afirmou que o compromisso do grupo não é com pessoas, mas com os princípios e valores do partido. Acrescentou que não permitirão que o PAIGC “morra”, assegurando que continuarão a lutar pela renovação dos órgãos do partido.
Por: Assana Sambú





















