Abertura da campanha do cajú 2026: GOVERNO ALERTA PARA PERDAS ANUAIS DE 50 MILHÕES DE DÓLARES DEVIDO AO CONTRABANDO 

O Governo anunciou que irá reforçar os mecanismos de controlo para garantir que a castanha de caju seja exportada de forma legal, sublinhando que a Guiné‑Bissau perde anualmente cerca de 50 milhões de dólares norte‑americanos,  aproximadamente 30 mil milhões de francos CFA, em consequência do contrabando nas fronteiras.

A revelação foi feita pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, da Cooperação Internacional e das Comunidades, João Bernardo Vieira, durante a cerimónia de abertura da campanha de comercialização da castanha de caju da safra de 2026. Na ocasião, o governante afirmou que “o caju é o principal produto do país, devendo ser protegido e não banalizado”.

O ministro falava na quarta‑feira, 11 de março de 2026, na zona industrial de Brá, em Bissau, onde decorreu a abertura oficial da campanha.

No quadro da campanha, o Governo de transição fixou, em Conselho de Ministros realizado na terça‑feira, 10 de março, o preço de referência ao produtor em 410 francos CFA por quilograma, válido em todo o território nacional.

GOVERNO REAFIRMA COMPROMISSO COM UMA CAMPANHA EQUILIBRADA PARA TODA A CADEIA DE VALOR

Em representação do primeiro‑ministro, João Bernardo Vieira reafirmou o compromisso do Executivo em assegurar uma campanha de comercialização da castanha de caju mais estruturada, equilibrada e justa para todos os intervenientes da cadeia de valor, com especial enfoque nos produtores e exportadores.

O governante destacou ainda o empenho do Governo na promoção da transformação local da castanha de caju, como estratégia para aumentar o valor acrescentado do produto e reforçar o impacto positivo do setor na economia nacional.

João Bernardo Vieira reconheceu que o país enfrenta um contexto internacional marcado por profundas transformações económicas e geopolíticas, lembrando que os efeitos das guerras e das tensões em várias regiões do mundo continuam a provocar perturbações nas cadeias globais de abastecimento, bem como o aumento dos custos de transporte.

Segundo o ministro, para economias como a da Guiné‑Bissau, fortemente dependentes da exportação de produtos agrícolas, estes desafios exigem maior visão estratégica e capacidade de adaptação. Ainda assim, garantiu que o Governo está consciente das dificuldades e tem estado a “trabalhar ativamente” para reforçar a organização, a transparência e a eficiência do setor do caju.

SETOR PRIVADO E AGRICULTORES ALERTA PARA DESAFIOS ESTRUTURAIS 

Por sua vez, Mamadu Iero Djamanca, em representação da Câmara do Comércio, Indústria, Agricultura e Serviços (CCIAS), sublinhou que a castanha de caju continua a ser o principal motor da economia nacional, constituindo uma fonte essencial de rendimento para centenas de famílias produtoras e um dos principais contributos para as exportações do país.

O representante da CCIAS afirmou que o setor privado acompanha com atenção o atual contexto económico internacional, marcado por incertezas e desafios significativos, associados à instabilidade geopolítica, nomeadamente o conflito prolongado entre a Rússia e a Ucrânia. Acrescentou que esta situação, aliada à instabilidade no Médio Oriente, continua a provocar perturbações nas cadeias logísticas e no comércio internacional.

Em representação da Associação Nacional dos Agricultores da Guiné‑Bissau (ANAG), Corca Djaló alertou para as dificuldades sérias que afetam o setor do caju, defendendo a necessidade de uma reforma estrutural profunda.

Dirigindo‑se aos camponeses, Corca Djaló advertiu que, face ao atual contexto global marcado por conflitos internacionais, poderão ser necessários sacrifícios durante a presente campanha, sublinhando a importância de o Executivo adotar estratégias preventivas para antecipar eventuais impactos futuros.

Defendeu ainda a criação urgente de um fundo de reabilitação e reforma dos pomares de caju, considerando tratar‑se de uma preocupação comum a vários países africanos.

“Os países compradores estão a trabalhar para alcançar maior autossuficiência e garantir matéria‑prima para as suas próprias indústrias”, concluiu.

Por: Aguinaldo Ampa

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