FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS DENUNCIAM FIM DO CONTRATO COM A STGB E ALERTAM PARA AGRAVAMENTO DA MOBILIDADE

O vice-presidente do Sindicato Nacional dos Trabalhadores e Técnicos da Administração Pública (SINTTAP), Isidro Teixeira, denunciou que o Governo de Transição rescindiu, de forma unilateral, o contrato de prestação de serviços com a empresa STGB, responsável pelo transporte dos funcionários públicos aos seus locais de trabalho

Em entrevista concedida na quarta-feira, 18 de março, à Rádio Popular, Teixeira afirmou que a decisão, tomada sem alternativas de substituição, está a criar sérias dificuldades de mobilidade para milhares de trabalhadores.

O acordo entre o Governo e a STGB foi estabelecido em 2006, prevendo a disponibilização de cinco autocarros para o transporte dos funcionários, mediante o pagamento mensal de cinco milhões (5.000.000) de francos CFA.

Entre 2012 e janeiro de 2026, a frota foi reforçada com mais dois autocarros, totalizando sete viaturas. Com essa expansão, o pagamento mensal passou para doze milhões (12.000.000) de francos CFA.

GOVERNO CORTA SUBSÍDIO DE TRANSPORTE AOS FUNCIONÁRIOS ESTIMADO EM 300 MILHÕES DE FCFA

Segundo o sindicalista, em janeiro de 2026 o Governo de Transição, liderado por Ilídio Vieira Té, rescindiu unilateralmente o contrato, alegando cumprir exigências do Banco Mundial. Isidro Teixeira classificou a medida como “um golpe para os funcionários públicos”, lembrando que o subsídio de transporte — estimado em cerca de 300 milhões de francos CFA — também foi suspenso.

Ele acrescentou que o Governo deixou igualmente de fornecer arroz aos trabalhadores, uma das medidas compensatórias acordadas durante anteriores crises económicas.

Para Teixeira, os novos autocarros colocados em circulação desde novembro de 2025 não são suficientes para suprir as necessidades dos trabalhadores:

“Diariamente há uma luta constante entre funcionários públicos e cidadãos comuns. Esta medida reduz a produtividade dos autocarros e cria problemas adicionais ao Estado”, afirmou.

O sindicalista lamentou ainda a ausência de consultas prévias e disse que o sindicato enfrenta dificuldades para encontrar um interlocutor governamental disponível para negociar alternativas.

Participam das negociações o secretário-geral da União Nacional dos Trabalhadores da Guiné – Central Sindical (UNTG-CS) e o da Confederação Geral dos Sindicatos Independentes (CGSI-GB). Diante do impasse, ambos enviaram uma carta conjunta a convocar a sociedade civil para solicitar uma reunião extraordinária do Conselho de Concertação Social.

“Cortar o transporte é mexer com a vida dos trabalhadores e das suas famílias”, sublinhou Teixeira.

Em novembro de 2025, o Governo lançou um projeto piloto de transporte rodoviário urbano, com cinco autocarros gratuitos durante os primeiros dez dias. O plano prevê a entrada em operação de 21 autocarros até 2026, em parceria com a empresa PRIME Investment, alinhado com o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 11.

O projeto, desenvolvido em cooperação com Portugal, inclui ainda: criação de 120 paragens modernas; mais de 200 novos postos de trabalho (motoristas, mecânicos, controladores e agentes comerciais); implementação de tarifas sociais para mulheres, crianças, idosos e pessoas com deficiência (entre 150 e 250 francos CFA).

As primeiras quatro linhas abrangem os trajetos: Linha 1: Pindjiguiti – Safim (via Correios, Mãe de Água, Aeroporto) – 18 km; Linha 2: Alfândega – Safim (via Fábrica de Cimento, Antula, São Paulo) – 24 km; Linha 3: Pindjiguiti – Bissalanca (via Aeroporto, Base Aérea) – 14 km; Linha 4: Pindjiguiti – Cumura(via RDN, Meteorologia, Quilele, Bôr) – 14 km. O Governo prevê atingir 100 autocarros até 2026, estendendo o serviço a todas as regiões do país.

Por: Filomeno Sambú

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