O coordenador do Fórum de Paz, José Carlos Lopes Correia, alertou para a urgência de intervenções no terreno, através de ações concretas, com vista ao resgate dos valores de convivência social e à melhoria das relações na Guiné-Bissau, sobretudo no domínio da mediação de conflitos entre as comunidades.
José Carlos falava esta quarta-feira, 25 de março de 2026, durante o lançamento de um espaço aberto denominado Bantaba di Paz, destinado à busca de soluções pacíficas através do diálogo.
Durante dois meses, serão realizadas 45 bantabas di paz, abordando diferentes temas ligados ao acesso à justiça, governança, confiança nas instituições, gestão de terras e dos recursos naturais.
Os debates também irão incidir sobre as limitações existentes nos serviços sociais básicos — educação, saúde, água e energia — em todo o território nacional. As atividades serão dinamizadas por 11 Grupos di Kumpuduris di Paz e pela Rede da Juventude Partidária, em parceria com o Centro de Acesso à Justiça.
José Carlos Lopes Correia destacou que a iniciativa pretende reforçar ações no terreno para fortalecer as relações de convivência e contribuir para que as pessoas desenvolvam uma capacidade de reflexão orientada para o bem das suas comunidades.
Segundo o coordenador, nos últimos anos a sociedade guineense tem estado profundamente dividida, tanto por questões políticas como por conflitos de posse de terras.

Ele manifestou esperança de que as ações previstas possam gerar resultados positivos, melhorando a capacidade de análise da população na resolução de conflitos nas suas próprias comunidades.
“Temos assistido a resistências e conflitos de posse de terras porque não há colaboração. A justiça também intervém, mas há interferência política e abordagens inadequadas das pessoas relativamente a esta questão”, afirmou.
Diante desta realidade, apelou a uma maior contribuição da justiça e do governo na resolução dos conflitos de terras.
Por sua vez, a coordenadora da WANEP-GB, Denise dos Santos Indeque, afirmou que a política, que deveria ser a arte do bem comum, transformou-se num muro que separa famílias, amigos, religiões, etnias e comunidades.
“Não se imagina a dor e a frustração que essa divisão está a causar no nosso quotidiano. A polarização política faz-nos esquecer que, no fim do dia, todos regressamos às nossas casas como famílias e vizinhos, desejando segurança para os nossos filhos, trabalho digno, saúde, educação e um futuro melhor para o nosso país”, sublinhou.
Denise explicou que, durante o diálogo aberto, serão debatidos — com coragem, respeito mútuo e sem agressividade — desafios relacionados ao acesso à justiça, governança, confiança nas instituições, gestão de terras e recursos naturais, além das limitações nos serviços sociais básicos como educação, saúde, água e energia. Salientou ainda a importância das questões económicas e da mobilidade, que afetam diretamente as condições de vida da população.
Recordou aos guineenses que a divisão é prejudicial à democracia e enfatizou que a política e os governos passam, mas “a nossa convivência como sociedade permanece”. Convidou todos a uma reflexão profunda sobre a necessidade de promover um ambiente pacífico e duradouro na Guiné-Bissau.
Por: Carolina Djemé





















