ANDD AVANÇA COM PROJETO PARA COMBATER CRESCIMENTO DE DIABETES NO PAÍS 

A Associação Nacional de Defesa de Diabetes (ANDD) lançou hoje o projeto “Vigilância e Cuidado em Diabetes na Guiné‑Bissau”, que visa reforçar a prevenção, o diagnóstico precoce, o acompanhamento clínico e a vigilância da diabetes no país.

A organização pretende apoiar o desenvolvimento do Programa Nacional de Luta contra a Diabetes (PNLCD), em parceria com o Ministério da Saúde Pública, o INSA – Instituto Nacional de Saúde –, o Projeto de Saúde de Bandim (PSB), laboratórios científicos e académicos internacionais.

O presidente da ANDD, Nelson António Delgado, afirmou que os casos de diabetes estão a aumentar e que, por isso, a associação defende a criação de um programa nacional específico para o acompanhamento dos diabéticos.

Nelson António Delgado falava nesta quinta-feira, 26 de março, durante o lançamento do projeto de vigilância e cuidados em diabetes na Guiné-Bissau.

O evento contou com a presença de representantes da Organização Mundial da Saúde (OMS), incluindo Adelino Gomes, bem como do Ministério da Saúde Pública e da Universidade de Coimbra.

Segundo Delgado, o tipo de diabetes mais frequente atualmente na Guiné-Bissau é o tipo 2, que surge mais frequentemente na fase adulta. Explicou que existem três tipos principais de diabetes (1, 2 e gestacional), sendo o tipo 1 comum em crianças, o tipo 2 a partir dos 30 anos de idade e o tipo gestacional durante a gravidez, devido a alterações metabólicas.

“No caso do tipo gestacional, normalmente desaparece no final da gravidez, mas exige tratamento para evitar complicações para o feto”, referiu.

O presidente da ANDD revelou ainda que muitos pacientes diabéticos não têm condições financeiras para manter o tratamento, e que o país não dispõe de um Programa Nacional de Luta contra a Diabetes. Por isso, um dos principais objetivos da associação é criar esse programa em colaboração com o Ministério da Saúde, garantindo diagnósticos adequados e acesso gratuito a medicamentos, como acontece com outras patologias, evitando complicações e abandonos do tratamento.

“Um dos nossos objetivos é sensibilizar a população, os parceiros de desenvolvimento, as organizações da sociedade civil, as entidades religiosas, as rádios comunitárias e a imprensa nacional, para que as pessoas conheçam a diabetes. Se conhecerem, podem preocupar-se com o diagnóstico precoce e evitar complicações”, destacou.

O projeto prevê trabalhar com 14 estruturas sanitárias do país — 10 regionais e quatro no Setor Autónomo de Bissau.

Todas essas estruturas serão selecionadas juntamente com os delegados regionais, que identificarão as áreas que servirão de pontos focais para colaborar diretamente com os centros de saúde das respetivas regiões.

Em termos de recursos humanos, o projeto estabelece como meta capacitar 55 técnicos: 15 médicos, 30 enfermeiros e 10 supervisores da ANDD. Pretende ainda sistematizar os dados nacionais referentes à diabetes.

Até março de 2027, o projeto espera alcançar 3.000 pessoas rastreadas, incluindo grávidas, com o objetivo de atingir a meta prevista para três anos, até o final de 2029.

O representante da OMS no país, Adelino Gomes, considerou que a iniciativa é “um marco importante” no compromisso nacional com a prevenção, o diagnóstico precoce e a melhoria da qualidade de vida das pessoas com diabetes.

No seu discurso, recordou que a diabetes afeta milhares de pessoas em diferentes fases da vida, e que a prevenção, o diagnóstico precoce e o tratamento adequado são essenciais para evitar complicações graves e mortes prematuras.

“Os quadros estratégicos globais aprovados pelos Estados-membros preveem metas ambiciosas para 2030, nomeadamente alcançar 80% de diagnóstico entre as pessoas com diabetes e assegurar acesso universal à insulina para todos os doentes”, afirmou.

Por Jacimira Segunda Sia

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