O régulo central de Gabú, José Saico Maria Embaló, afirmou que, do ponto de vista religioso, o tráfico e o consumo de drogas são práticas “totalmente condenáveis”, por representarem uma ameaça à saúde humana e à sociedade. Acrescentou que nenhuma religião no mundo pode fazer uma avaliação positiva da criminalidade organizada, nem do tráfico e do consumo de drogas.
As declarações foram feitas em entrevista ao Boletim Informativo do Observatório de Drogas, por ocasião do Dia Mundial Contra as Drogas, assinalado a 26 de junho de 2025.
Questionado sobre a crescente presença de criminalidade e tráfico de drogas entre os jovens de Gabú, o régulo reiterou que se trata de “uma prática condenável, por representar uma ameaça direta à saúde e à sociedade”.
RÉGULO DESAFIA SOCIEDADE A CONDENAR TRAFICANTES E CONSUMIDORES
Segundo José Saico Embaló, o consumo de drogas “prejudica a saúde, afeta a memória, transforma indivíduos em pessoas inúteis, cruéis e perturbadas, com impacto negativo para as famílias, para a sociedade e para o país”. Reforçou que nenhuma religião atribui qualquer avaliação positiva ao crime organizado ou ao tráfico de drogas.
O régulo desafiou as autoridades, as famílias e as comunidades rurais a condenarem veementemente todos os envolvidos, pois “quem trafica ou consome drogas não é capaz de assegurar o bem-estar social do povo”.
Apontou ainda as substâncias ilícitas como um dos fatores que estão a corroer a sociedade e a reduzir a esperança de vida dos jovens. “A droga é mais perigosa do que um anjo que leva a alma de uma pessoa para os Céus”, frisou.
Interpelado sobre orientações do Islão relativas às drogas, Embaló respondeu que “a droga é um risco vermelho, e quem o pisa caminha para um fim fatal”, pois semeia ódio, maldade, vingança, mortes e outros fenómenos que assolam as sociedades.
Sobre as razões do envolvimento de tantos jovens com drogas e redes criminosas, afirmou que cada geração faz as suas escolhas, mas considera que a atual “quinta geração” (século XXI) está a ultrapassar limites. Aconselhou a juventude a desejar aos outros o mesmo bem que deseja para si.
Negou, contudo, que a falta de emprego seja a principal razão do envolvimento com drogas. “Será que liamba e outras substâncias ilícitas dão dinheiro?”, questionou, classificando como “narrativa podre” o argumento de que os jovens recorrem ao tráfico por falta de oportunidades.
Defendeu que os jovens devem apostar no empreendedorismo e no autoemprego, lembrando que “nem todos podem ou devem trabalhar nos gabinetes”, e que o país precisa de profissionais técnicos para o seu desenvolvimento.
“NÃO ACREDITO QUE MESQUITAS E IGREJAS TENHAM PAPEL DETERMINANTE”
O régulo declarou não acreditar que mesquitas, igrejas ou comunidades religiosas desempenhem um papel decisivo na prevenção ao uso de drogas, alegando que muitos dos primeiros delinquentes e consumidores provêm desses mesmos meios e das próprias famílias.
Por isso, apelou ao maior envolvimento das autoridades regionais e nacionais no combate ao crime organizado, ao tráfico e ao consumo de drogas entre jovens, reforçando a necessidade de medidas repressivas, julgamentos e punições exemplares.
Disse desconhecer a existência de projetos locais voltados à juventude em risco: “Se existissem, teria sido informado”.
O régulo criticou a precariedade económica das famílias, sublinhando que muitas sobrevivem graças a pequenos negócios. “A nossa massa crítica — a juventude — que deveria estar a produzir, está acabada, delinquente, dependente de drogas e metida no mundo do crime”, lamentou.
Embora defenda que líderes religiosos deveriam desempenhar um papel mais ativo, lamentou que a sociedade esteja desorientada e criticou comportamentos de jovens que considera inadequados, tais como vestuário e atitudes.
Destacou que o poder tradicional tem participado ativamente em iniciativas de combate às drogas e criminalidade, mas que as autoridades de segurança e justiça “não valorizam o papel e a influência das lideranças tradicionais”. Disse que os régulos se sentem ignorados e abandonados.
José Saico Embaló afirmou que denunciará às autoridades quaisquer redes de branqueamento de capitais, falsificação de dinheiro ou outros crimes identificados nas comunidades. Apelou para que jovens, mulheres, homens, anciãos, régulos, chefes de tabanca, organizações civis e forças de segurança façam o mesmo.
Disse acreditar que a fé pode ser uma ferramenta de resistência à criminalidade e ao tráfico, mas apenas quando acompanhada de boas escolhas. Apelou à colaboração entre todas as estruturas do Estado na proteção da juventude, uma vez que “as famílias estão impotentes e a sociedade fracassou”.
“Que a juventude se abstenha do tráfico, uso e consumo de drogas, porque não trazem nenhum resultado positivo e apenas destroem vidas”, concluiu, responsabilizando o Estado e os pais pelos fenómenos atuais, pois “se tivessem assumido a sua missão, não teríamos a sociedade e os crimes que temos hoje”.
In boletim da ODGT
















