O Banco Mundial reviu em baixa as previsões de crescimento económico para este ano de todas as economias dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), com exceção da Guiné-Bissau, e antecipa uma forte subida da inflação nestes países.
De acordo com o relatório semestral sobre as economias da África subsaariana, divulgado esta quarta-feira, 7 de abril de 2026, em Washington, a economia da Guiné-Bissau deverá crescer 5,3% este ano, ligeiramente acima dos 5,2% estimados pelo Banco Mundial em outubro do ano passado.
Em sentido inverso, os economistas da instituição reviram em baixa todas as restantes previsões de crescimento para os PALOP. Angola deverá crescer 2,4%, contra os 2,6% previstos anteriormente, enquanto Cabo Verde viu a previsão de expansão económica reduzida de 5,2% para 4,8%.
São Tomé e Príncipe deverá registar um crescimento de 2,9%, abaixo dos 4% estimados em outubro. A revisão mais significativa ocorreu em Moçambique, cuja economia deverá expandir apenas 0,9%, face à previsão anterior de 3% feita em outubro de 2025.
A Guiné Equatorial deverá voltar a entrar em recessão, com uma contração económica de 3,5%, após o Banco Mundial ter previsto, em outubro, um crescimento de 0,4% do Produto Interno Bruto (PIB).
Justificadas sobretudo pelos efeitos da guerra no Médio Oriente, as novas projeções do Banco Mundial apontam igualmente para uma subida significativa da inflação nestes países. Angola lidera este grupo, com uma taxa de inflação estimada em cerca de 15%, seguida por São Tomé e Príncipe, onde os preços também deverão aumentar de forma expressiva.
Em Moçambique, a inflação deverá atingir 7,5%; na Guiné Equatorial, 6,2%; na Guiné-Bissau, 5,8%; e em Cabo Verde, 3,2%. Todos estes valores representam revisões em alta face às previsões de outubro de 2025, destacando-se a Guiné-Bissau, cuja previsão de inflação quase triplicou, passando de 2% para 5,8%.
Em média, os países dos PALOP deverão crescer cerca de 2% em 2026, menos de metade da média prevista para a África subsaariana, estimada em 4,1%, valor idêntico ao de 2025, mas 0,3 pontos percentuais abaixo do projetado em outubro do ano passado.
“Entre os países da região, algumas das maiores economias tiveram as suas previsões de crescimento revistas em baixa para 2026, nomeadamente Angola, Quénia, Moçambique, Nigéria, Senegal, África do Sul e Zâmbia”, lê-se no relatório, que refere ainda que “cerca de 60% dos países da região (29 em 47) registaram revisões em baixa das perspetivas de crescimento para 2026”.
Segundo o Banco Mundial, estas revisões revelam um empobrecimento do rendimento pessoal na África subsaariana. A instituição alerta que 15 dos 47 países da região — quase um terço — deverão apresentar, em 2026, um rendimento per capita inferior ao registado em 2014. Em nove destes países, o rendimento por habitante é mais de 10% inferior ao nível de 2014.
“O declínio é particularmente grave em cinco países — Angola, Guiné Equatorial, República do Congo, Sudão do Sul e Sudão — onde o rendimento per capita é mais de 25% inferior ao de 2014”, indicam os economistas do Banco Mundial, sublinhando que se trata de países “altamente dependentes das exportações de petróleo ou afetados por conflitos”.
Em contrapartida, 40% dos países da região (19 em 47) apresentam um rendimento per capita pelo menos 25% superior ao nível de 2014. Em cinco países, entre os quais Cabo Verde, o rendimento real per capita em 2026 deverá ser pelo menos 45% superior ao registado em 2014.
Fonte: Lusa





















