O presidente da Liga Guineense dos Direitos Humanos (LGDH), Bubacar Turé, afirmou que o radicalismo e o extremismo violento configuram desafios “complexos” e “multidimensionais”, que transcendem fronteiras e exigem respostas articuladas e sustentadas.
Bubacar Turé falava esta terça-feira, na abertura da Conferência sobre a Prevenção do Radicalismo e do Extremismo Violento na Guiné-Bissau, ocasião em que considerou profundamente preocupante a situação na África Ocidental e no Sahel.
Segundo o responsável da organização defensora dos direitos humanos na Guiné-Bissau, a crise nessas regiões ameaça a segurança dos cidadãos e dos países, mina a paz, fragiliza as instituições democráticas, enfraquece o Estado de direito e põe em causa os direitos e as liberdades fundamentais.
Destacou que dados recentes são alarmantes: em 2025, cerca de 23.968 pessoas perderam a vida em ataques ligados a grupos terroristas em África, representando um aumento de 24% e o nível mais elevado de violência alguma vez registado no continente.
A conferência visa promover um espaço de partilha de informações, de reflexão crítica e de compromisso coletivo na luta contra o radicalismo e o extremismo violento na Guiné-Bissau.
Para o presidente da LGDH, a experiência internacional demonstra que estratégias eficazes de prevenção assentam na inclusão, no diálogo, na coesão social e na participação ativa das comunidades.
“Precisamos de um diálogo sério, franco e inclusivo. Um diálogo orientado pelo interesse nacional, capaz de restaurar a confiança, reconciliar posições e construir consensos duradouros”, reforçou.
Bubacar Turé referiu ainda a recente vaga de ataques coordenados em várias cidades do Mali, que vitimaram inúmeras pessoas, incluindo o ministro da Defesa, considerando que estes episódios lembram, de forma dolorosa, que a ameaça é real, crescente e “profundamente devastadora”.
“Não são apenas números. São vidas humanas. São famílias destruídas. São comunidades mergulhadas na dor. Em nome da Liga Guineense dos Direitos Humanos, condenamos com firmeza esta escalada de violência e expressamos a nossa profunda solidariedade ao povo maliano e às famílias das vítimas”, afirmou.
Sublinhou que a instabilidade política, a fragilidade governativa e a crescente proliferação de discursos de ódio fragilizam a coesão social e podem abrir espaço a dinâmicas de radicalização.
“Sem apropriação nacional, não há sustentabilidade. Sem liderança institucional, não há coerência. E sem implementação efetiva, não há resultados”, enfatizou.
Reconheceu igualmente o papel dos líderes religiosos do país, que se têm afirmado como agentes de diálogo, moderação e construção da paz, bem como do Observatório da Paz “Nô Kudji Paz”, pelas ações consistentes e de elevado impacto desenvolvidas neste domínio.
Por sua vez, a administradora executiva do Instituto Marquês de Valle Flôr (IMVF), Carolina Quina, afirmou que foram realizadas ações de sensibilização, capacitação e alerta, incluindo a formação de 66 jornalistas e de mais de 35 quadros da administração pública em áreas como a justiça e a administração interna.
Carolina Quina destacou que o projeto abrangeu todas as regiões do país.
“A Guiné-Bissau não enfrenta um risco iminente de terrorismo, mas não é suficiente dizer que o povo é pacífico. Existem, sim, ameaças sérias e reais”, alertou.
Segundo afirmou, as estratégias assentam em quatro eixos: reforço do Estado de direito, educação, comunicação estratégica e envolvimento social e comunitário.
Por fim, sublinhou que a estratégia parte do reconhecimento de que a melhor forma de prevenir a radicalização é atacar as suas causas profundas.
Por: Natcha Mário M’bundé





















