O grupo cultural Netos de Bandim inaugurou, esta quarta-feira, 29 de abril de 2026, um museu cultural denominado Mural da Independência, localizado no Estádio Lino Correia, no centro da cidade de Bissau.
No espaço, foram retratadas diferentes manifestações de liberdade, expressas por meio da linguagem artística e protagonizadas por um grupo de artistas plásticos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e da Guiné-Bissau.
A produção das obras artísticas, que abrangem várias formas de expressão, foi financiada pela Fundação Calouste Gulbenkian.
Na ocasião, o presidente da Câmara Municipal de Bissau (CMB), José Medina Lobato, anunciou a existência de um projeto para a construção de um jardim em frente ao Mural da Independência.

José Medina Lobato manifestou a disponibilidade da CMB em apoiar a melhoria das condições dos espaços públicos e apelou à colaboração de todos para a preservação desses locais, de modo a evitar práticas ilícitas que prejudiquem a higiene e a saúde pública.
“É necessário que todos contribuam para manter os espaços públicos saudáveis, tratar devidamente o lixo e acabar com a cultura de urinar nas ruas, como se fazia antes, porque a arte precisa de um ambiente saudável”, afirmou.
Por sua vez, o coordenador do grupo cultural Netos de Bandim, Ector Diógenes Cassamá, conhecido por Negado, afirmou que, se forem criadas as condições adequadas, o espaço poderá atrair jovens e crianças.
O mentor do grupo convidou os guineenses a explorarem a história retratada no mural e a colaborarem para a sua preservação.
“A escolha do espaço tem a ver com a visibilidade. Queremos contar a história para a população, e o Estádio Lino Correia é um local acessível a todos”, frisou.
De acordo com Cassamá, o mural inaugurado não representa apenas um trabalho de pintura, mas sim a materialização da “nossa herança e do nosso orgulho em sermos quem somos”.

“O muro que antes era apenas uma barreira de cimento, hoje canta e dança a nossa história”, disse.
O responsável cultural sublinhou ainda que a dança é a maior expressão da cultura guineense e um elemento que une todas as pessoas. Por essa razão, a inauguração do mural coincidiu com a celebração do Dia Mundial da Dança, uma vez que, segundo ele, “a obra expressa a nossa história e identidade”.
“A iniciativa surgiu a partir de um fundo disponível para países da CPLP, no domínio das artes plásticas. Concorrermos e vencemos. Queremos apresentar os pensamentos de Amílcar Cabral sobre a independência e imortalizá-los não apenas em livros e músicas, mas também através das artes plásticas, colocando as imagens em diálogo com o público”, explicou.
Uma das autoras da obra, Sandra Pizura, convidou as mulheres a dedicarem-se à arte, sobretudo à pintura, defendendo que a arte plástica não é um campo exclusivo dos homens.
“As mulheres também podem. Espero a participação das mulheres guineenses na próxima edição”, desafiou.
Os artistas apelaram ainda às autoridades para protegerem a obra, considerando que ela representa não apenas um conjunto artístico, mas um verdadeiro património cultural do país.
Por: Jacimira Segunda Sia





















