Ondas de xenofobia: GUINÉ-BISSAU EXIGE PROTEÇÃO DE CIDADÃOS ESTRANGEIROS NA ÁFRICA DO SUL

O primeiro‑ministro da Guiné‑Bissau, Ilídio Vieira Té, convocou o embaixador da África do Sul acreditado no país, Mphakama Mbete, para lhe transmitir formalmente a profunda preocupação do governo guineense face à atual onda de violência e hostilidade contra cidadãos estrangeiros naquele país.

A iniciativa ocorre num contexto de agravamento de episódios de xenofobia na África do Sul, onde imigrantes africanos — incluindo cidadãos guineenses — têm sido alvo de ameaças, agressões físicas e pressões para abandonarem o território sul‑africano, sob a alegação de estarem a restringir o acesso dos nacionais ao emprego.

Segundo uma nota do gabinete de comunicação da Presidência do Conselho de Ministros, durante o encontro o chefe do Governo manifestou inquietação quanto à segurança e à integridade física dos compatriotas residentes na África do Sul, muitos dos quais exercem naquele país atividades económicas legítimas de subsistência.

Ilídio Vieira Té sublinhou a necessidade de garantir proteção efetiva a todos os cidadãos estrangeiros, em conformidade com os princípios do direito internacional e das convenções africanas sobre mobilidade e direitos humanos.

A xenofobia na África do Sul constitui um fenómeno estrutural e recorrente, com registos significativos desde 2008. Ao longo dos anos, os episódios de violência têm‑se repetido, com especial intensidade em períodos de crise económica. Os ataques visam sobretudo imigrantes oriundos de outros países africanos, frequentemente acusados de contribuírem para o desemprego, a pobreza e a criminalidade — perceções que, segundo diversos analistas, carecem de fundamento empírico consistente.

Entre os principais impactos desta realidade destacam‑se o saque de estabelecimentos comerciais pertencentes a estrangeiros, deslocações forçadas de comunidades e o surgimento de tensões diplomáticas entre Estados africanos. Em alguns casos, estes episódios levaram à realização de operações de repatriamento e a intervenções diplomáticas urgentes por parte dos países cujos cidadãos foram vítimas dos ataques.

Em 2026, relatos indicam a persistência preocupante destes atos, com paralisações de atividades económicas, aumento da insegurança em bairros periféricos e deterioração da imagem internacional da África do Sul enquanto destino seguro para migrantes africanos.

Face a este cenário, o Governo da Guiné‑Bissau reafirmou o seu compromisso com a defesa dos seus cidadãos no exterior e apelou às autoridades sul‑africanas para a adoção de medidas firmes e eficazes no combate à xenofobia, garantindo a proteção dos direitos fundamentais de todos os residentes, independentemente da sua nacionalidade.

“A diplomacia guineense continuará a acompanhar de perto a evolução da situação, não se excluindo a adoção de medidas adicionais caso se verifique um agravamento das condições de segurança para os cidadãos nacionais na África do Sul”, lê‑se na nota.

Ainda sobre o assunto, a redação contactou o diretor‑geral das Comunidades, Braima Mané, para saber se existem pedidos de apoio por parte de cidadãos guineenses que estudam ou trabalham na África do Sul e qual a situação atual desses compatriotas.

Braima Mané afirmou ao nosso jornal que, até ao momento, não foi recebida nenhuma denúncia nem pedido formal de apoio por parte dos cidadãos guineenses residentes naquele país, acrescentando, contudo, que as autoridades permanecem em estado de alerta e acompanham de perto a evolução da situação.

Por: Redação

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *