Dia da Língua Portuguesa: EMBAIXADOR SUBLINHA PAPEL DO PORTUGUÊS NA CIÊNCIA E NO ENSINO 

O embaixador de Portugal na Guiné-Bissau, Miguel Cruz Silvestre, destacou o papel da língua portuguesa na investigação, afirmando que é através da língua que as pessoas pensam, aprendem, investigam e transmitem saberes.

Miguel Cruz Silvestre falava na terça‑feira, 5 de maio de 2026, durante as comemorações do Dia Mundial da Língua Portuguesa e dos 500 anos de Luís Vaz de Camões. Na ocasião, assegurou que a língua permite a construção do mundo académico, o seu questionamento e a sua projeção.

O diplomata sublinhou ainda que o português, falado hoje por quase 300 milhões de pessoas em vários continentes, afirma‑se como uma língua de ciência e de ensino.

“Luís Vaz de Camões é uma referência maior e incontornável. A sua obra vai além de uma narrativa ética. Leva‑nos a olhar o mundo de forma nova, porque a sua visão, além de crítica, é também permanentemente universal, atravessando séculos”, afirmou.

Miguel Cruz disse acreditar que Camões continua a ser lido e interpretado na Europa, em África, na América e noutros continentes devido ao impacto duradouro da sua obra na língua portuguesa.

“Quando se celebra o Dia Mundial da Língua Portuguesa, celebra‑se uma língua viva, plural e em permanente criação e constituição”, realçou.

Por sua vez, o reitor da Universidade Amílcar Cabral, Herculano Arlindo Mendes, defendeu que o Estado da Guiné‑Bissau precisa de se engajar mais na promoção da língua portuguesa.

Segundo o reitor, a maioria dos guineenses não consegue expressar‑se em português.

“Este facto deve‑se ao afastamento do sistema educativo em relação à questão da língua portuguesa, e não à incompetência”, assinalou.

Herculano Arlindo Mendes defendeu que o Estado da Guiné‑Bissau deve solicitar apoio a Portugal ou, internamente, criar um programa específico para tratar a questão da língua portuguesa no país.

“Ao nível das universidades, temos docentes e estudantes que não conseguem expressar‑se corretamente em português. Isso não significa incompetência ou falta de capacidade intelectual, mas sim problemas estruturais do sistema de ensino, que precisa de ser reformado”, afirmou.

O reitor advertiu que, se o professor não for capaz de se expressar corretamente em português e de transmitir o conhecimento, os estudantes acabam por ser os mais prejudicados.

Neste sentido, defendeu a realização de uma Conferência Nacional para discutir e debater o uso do português nas escolas, universidades, serviços públicos e instituições públicas e privadas.

“Temos a Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, onde está inserido o curso de Letras. Vamos falar com o coordenador do curso para, em conjunto, elaborarmos um programa específico para melhorar a expressão em português, tanto dos docentes como dos estudantes”, anunciou.

Por: Natcha Mário M’bundé

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