Greve continua: PROFESSORES CONTESTAM VERSÃO DO GOVERNO SOBRE PAGAMENTO DE DÍVIDAS

O coordenador dos professores contratados em greve por tempo indeterminado, Mateus Cá, negou que o Governo tenha iniciado o pagamento de retroativos aos professores desta categoria, conforme anunciado pelo Governo de transição.

O diretor dos Recursos Humanos do Ministério da Educação Nacional, Moisés da Silva, confirmou a um dos órgãos de comunicação social do país que o Governo estava a efetuar o pagamento dos retroativos aos professores contratados e fez um alerta.

Em reação a essa informação, Mateus Cá afirmou que, até ao momento, o dinheiro não entrou nas suas contas e que desconhecem a forma como o pagamento estaria a ser feito. Segundo explicou, as reivindicações do coletivo dizem respeito a um conjunto de dívidas contraídas pelo Governo, que ainda não assumiu pagar.

Em entrevista telefónica à redação do jornal O Democrata, esta quarta-feira, 13 de maio de 2026, para esclarecer as informações segundo as quais o Governo teria anunciado o início do pagamento dos retroativos, revelou que, neste momento, o Estado tem dívidas de quatro, cinco, oito e nove meses com diferentes grupos de contratados.

“Há pouco saímos de um encontro na Função Pública. Não temos nenhum valor nas nossas contas e não sabemos como se pode confirmar que tenha sido iniciado o pagamento de retroativos. Afinal, de que retroativos estamos a falar?”, questionou.

Segundo o coordenador do grupo, no encontro realizado no Ministério da Função Pública, o Governo limitou-se a pedir o regresso dos professores às escolas para concluir os dias letivos restantes, sem apresentar propostas concretas nem demonstrar sinais de que pretende atender às exigências apresentadas.

Mateus Cá afirmou que não existem condições para o regresso às salas de aula e, perante a falta de abertura para o diálogo, os professores poderão manter-se afastados até ao início do próximo ano letivo, 2026/2027.

Os professores contratados exigem a sua efetivação na Função Pública, bem como o pagamento dos salários em atraso, considerando estas condições “inegociáveis” para o regresso às aulas.

Perante esta situação, o coordenador apelou ao Governo para assumir um compromisso sério na resolução do problema, de forma a não comprometer o ano letivo que está prestes a encerrar.

Denunciou ainda que, recentemente, o Governo procedeu ao pagamento seletivo dos salários referentes ao mês de fevereiro a apenas um grupo de contratados, deixando os restantes excluídos.

Cerca de 4.681 professores encontram-se em greve por tempo indeterminado.

Por fim, Mateus Có apelou a todos os professores contratados a manterem-se firmes na sua posição e a prosseguirem com as suas reivindicações de forma organizada, para que o Governo reavalie a sua posição e assuma as suas responsabilidades.

Por: Carolina Djemé

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