CRISE DE GASÓLEO DEIXA BISSAU COM TRANSPORTES REDUZIDOS E LONGAS FILAS

A escassez de combustível (gasóleo), que se regista há dois dias em Bissau, está a agravar a mobilidade e a criar entraves ao volume de negócios dinamizado diariamente nos principais mercados da capital.

Nas primeiras horas desta quarta-feira, 13 de maio de 2026, verificava-se pouca circulação de viaturas, sobretudo dos transportes urbanos do tipo “toca-toca”. Apenas alguns carros privados circulavam, em número reduzido. Nos postos de venda de combustíveis, eram visíveis, até ao início da tarde, longas filas de veículos à espera de abastecimento.

A situação está a gerar inquietação social. Muitos trabalhadores e operários que atuam nas zonas periféricas de Bissau foram obrigados a desistir de se deslocar, após várias tentativas para conseguir lugar nos poucos transportes em circulação.

BOMBISTA DA PETROMAR GARANTE GASÓLEO ATÉ AO FIM DO DIA 

Uma equipa do jornal O Democrata deslocou-se ao posto de combustível da petrolífera Petromar, onde constatou um ambiente constrangedor, marcado sobretudo pela falta de informação.

Questionado pelo jornal, o bombista do posto de venda de gasóleo e gasolina, Julião Insali, garantiu que o fornecimento de gasóleo deverá ser retomado até ao final do dia. Ainda assim, motoristas no local manifestaram cepticismo quanto a essa previsão.

Segundo Insali, foram recebidos, na terça-feira, 12 de maio, cerca de 10 mil litros de gasóleo, quantidade insuficiente para responder à elevada procura, tendo em conta que o país possui mais veículos movidos a gasóleo do que a gasolina.

“Neste momento, os veículos a gasolina estão a abastecer normalmente em diferentes postos”, afirmou, assegurando também que não houve aumento dos preços dos combustíveis.

Apesar dessas garantias, Ensa Seide, motorista de táxi, relatou prejuízos. Disse ter chegado à Petromar às 06h30, mas até ao momento nenhum veículo havia conseguido abastecer gasóleo.

“Disseram-nos que até às 14h00 teremos acesso ao gasóleo na Petromar”, afirmou, queixando-se da falta de informação clara sobre a situação.

“Estamos prejudicados. Estamos no escuro. Não temos informação do Governo sobre o que está realmente a acontecer. Corremos o risco de não conseguir sustentar as nossas famílias. O que ganhamos num dia serve para o sustento do dia seguinte”, lamentou.

O motorista alertou ainda que, caso a situação persista, os preços poderão aumentar. Criticou os sindicatos e a Federação dos Motoristas pela desconvocação da greve prevista para esta quarta-feira, sem explicações.

Por sua vez, Doménico Marcelo Cá, também motorista, afirmou ter chegado ao local às 05h00, sendo o terceiro da fila, mas sem qualquer informação sobre a disponibilidade de gasóleo.

“Ninguém se dignou a informar publicamente sobre a situação. Estamos na incerteza. Também não fomos informados sobre a desconvocação ou manutenção da greve”, criticou.

Segundo ele, a revolta entre os motoristas cresce, sobretudo devido à falta de comunicação sobre a escassez de gasóleo.

Por: Natcha Mário M’bundé / Filomeno Sambú

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