O FC Canchungo tornou-se o primeiro clube da Guiné-Bissau a cumprir os requisitos formais de licenciamento da Confederação Africana de Futebol (CAF), entidade responsável pela gestão do futebol em África, com vista à profissionalização e à participação em competições continentais.
De acordo com uma nota divulgada pela Federação de Futebol da Guiné-Bissau (FFGB), tornada pública na semana passada, o dossiê do FC Canchungo foi aprovado por unanimidade pelo órgão de primeira instância da CAF no dia 29 de abril e posteriormente confirmado a 6 de maio de 2026.
Os dossiês de licenciamento da CAF foram entregues à direção do clube nortenho no passado dia 9 de maio pelo presidente da FFGB, Carlos Mendes Teixeira, conhecido por “Caíto”, na presença do presidente da Liga Guineense de Clubes de Futebol (LGCF), Rui da Silva, e de outros membros da estrutura federativa.
Em declarações ao jornal O Democrata, após a receção dos documentos, o vice-presidente do FC Canchungo, Faustino Paulo Mango, enalteceu o feito e afirmou que, a partir de agora, o clube poderá beneficiar de apoios da CAF.
“Apesar das dificuldades que o clube enfrenta, esta conquista representa um marco muito importante”, afirmou.
“Enquanto primeiro clube na história da Guiné-Bissau a alcançar este feito, esperamos desenvolver e executar várias iniciativas. Caso hajam fundos da CAF ou da FIFA, estes permitirão à direção reabilitar a sede do clube”, acrescentou.
Segundo Mango, o licenciamento permitirá aproximar o clube das entidades internacionais do futebol e facilitar o acesso a apoios da CAF e da FIFA.
“Acreditamos que este reconhecimento demonstra que o FC Canchungo foi o primeiro, entre os 16 clubes da primeira divisão e os 24 da segunda divisão, a cumprir as normas que estabelecem padrões mínimos de qualidade para os clubes”, destacou.
O dirigente, que exerce a presidência na ausência de Mamadu Bobó Djaló, explicou ainda que, com o licenciamento, os “Lobos de Canchungo” poderão ganhar experiência competitiva.
“A equipa terá a oportunidade de participar nas competições africanas, nomeadamente na Liga dos Campeões da CAF e na Taça das Confederações, o que contribuirá para o seu crescimento e maturidade”, referiu.
Acrescentou que estas competições poderão tornar o FC Canchungo uma equipa mais ambiciosa na luta pela conquista do Campeonato Nacional.
Entre os desafios da atual direção, Mango apontou a participação futura nas competições africanas. Recordou que, na temporada 2022/2023, quando o clube se sagrou campeão nacional, existiam condições desportivas para participar nessas provas, mas dificuldades financeiras impediram essa presença.
Satisfeito com a conquista inédita, o vice-presidente destacou ainda a boa gestão, sobretudo financeira, levada a cabo pela atual direção nos últimos anos.
Salientou também que o licenciamento poderá incentivar o apoio dos emigrantes de Canchungo residentes na Europa.
Na mesma ocasião, Mango assegurou que a equipa, orientada pelo experiente treinador guineense João Dembi, conhecido por “Casaco”, vai lutar pela conquista do Campeonato Nacional na presente temporada.
Dirigindo-se aos adeptos, o presidente da FFGB, Carlos Mendes Teixeira, elogiou o trabalho realizado pelo FC Canchungo.
“Uma palavra de apreço à direção do FC Canchungo, liderada por Mamadu Bobó Djaló. Não é fácil dirigir um clube de futebol na Guiné-Bissau, onde os apoios são escassos. A Federação tem feito tudo o que está ao seu alcance para acompanhar os clubes”, afirmou.
Acompanhado pela secretária-geral da FFGB, Virgínia da Cruz, Mendes Teixeira recordou que, durante o seu mandato, o FC Canchungo conseguiu um campo de futebol, foi campeão nacional, venceu a Taça da Guiné e agora alcançou o licenciamento da CAF.
A cerimónia contou ainda com a presença de autoridades administrativas do setor de Canchungo, com destaque para o secretário administrativo do Comité de Estado local. O setor situa-se a cerca de 75 quilómetros da capital, Bissau.
Importa salientar que esta certificação representa um avanço significativo na profissionalização do futebol guineense e resulta dos esforços da FFGB para elevar os padrões da modalidade no país.
Por: Alison Cabral
















