Caso de alegado desvio: LÍDER DA FEDERAÇÃO DE FUTEBOL OUVIDO DURANTE QUATRO HORAS

O presidente da Federação de Futebol da Guiné-Bissau (FFGB), Carlos Mendes Teixeira, conhecido por “Caíto”, foi ouvido esta quarta-feira, 13 de maio de 2026, no Ministério Público, no âmbito de uma investigação relacionada com o alegado desvio de fundos públicos, estimado em 183 milhões de francos CFA, em 2023.

A verba teria sido disponibilizada pelo Governo para o fretamento de um avião destinado à seleção de São Tomé e Príncipe.

A audição decorreu durante mais de quatro horas no Gabinete de Luta Contra a Corrupção do Ministério Público, em Bissau. Segundo informações prestadas no local, não foi confirmada oficialmente a aplicação de qualquer medida de coação ao dirigente desportivo.

A informação foi transmitida aos jornalistas pelo advogado e vice-presidente da FFGB, Rivaldo Cá, no final da audição. O responsável afirmou que o processo se encontra sob segredo de justiça e que o Ministério Público deverá pronunciar-se posteriormente.

“O que posso dizer é que não existe nenhuma novidade, porque o presidente da Federação de Futebol foi ouvido sobre o alegado processo de fretamento, ou não fretamento, de um avião para a seleção de São Tomé e Príncipe. Enquanto órgão singular da Federação, foi chamado para prestar esclarecimentos sobre o caso”, afirmou.

“Os esclarecimentos já foram prestados e entendemos que o processo continua em segredo de justiça. No momento oportuno, o tribunal apresentará o seu relatório final, tendo em conta as circunstâncias do inquérito”, acrescentou Rivaldo Cá.

Sobre eventuais medidas de coação, o advogado declarou não ter informação que confirme a sua aplicação, remetendo eventuais esclarecimentos para a instância judicial.

Relativamente às críticas e denúncias feitas por adversários do presidente da FFGB, Cá considerou-as naturais no contexto democrático, defendendo a legitimidade do debate público.

Entretanto, a Rádio Sol Mansi avançou, na sua página oficial no Facebook, que Carlos Mendes Teixeira terá sido obrigado a permanecer no país e a entregar o passaporte ao Ministério Público no prazo de 24 horas.

Segundo a emissora, o dirigente deverá ainda depositar um montante considerado elevado como garantia da sua permanência na Guiné-Bissau.

A secção desportiva do jornal O Democrata apurou que, no âmbito deste processo, entretanto reaberto pelo Ministério Público, vários dirigentes desportivos já foram ouvidos, entre os quais Dembo Sissé e Celestino Gonçalves (“Tinex”).

Por: Alison Cabral

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