O coletivo de trabalhadores da Agência Nacional de Caju da Guiné-Bissau (ANCA-GB) exigiu a demissão dos membros do Conselho de Administração (PCA) da instituição e o pagamento de salários em atraso há cerca de quatro anos.
O porta-voz da comissão dos trabalhadores, Nelson Joaquim Sanhá, afirmou que, apesar de não receberem salários, os funcionários continuam a prestar serviços dentro das suas possibilidades.
“Este atual Presidente do Conselho de Administração da ANCA-GB, nomeado em abril de 2024, efetuou o pagamento de apenas quatro meses de 2024 e quatro meses de 2025”, declarou.
As declarações foram feitas na segunda-feira, 1 de junho de 2026, durante uma conferência de imprensa realizada em Bissau, na qual os trabalhadores denunciaram as dificuldades internas da instituição.
Sanhá denunciou ainda que a ANCA tem sido sistematicamente bloqueada, impedindo os técnicos de se deslocarem ao terreno para apoiar os agricultores, divulgar novas técnicas de plantação, orientar sobre prevenção de pragas e desenvolver ações de sensibilização sobre queimadas descontroladas.
Segundo o porta-voz, a produção da castanha de caju tem registado uma queda significativa nos últimos anos, tendência que se mantém em 2026, afetando particularmente regiões do Norte, como Canchungo, Caió e Ponta Pedra, bem como o sul do país e o arquipélago dos Bijagós.
“A Guiné-Bissau era um dos países com melhor qualidade de castanha de caju em África, tanto em volume como em qualidade para exportação. Infelizmente, nos últimos anos, tem-se verificado uma queda acelerada nesses indicadores”, lamentou.
O representante dos trabalhadores denunciou também um alegado bloqueio “sem sentido” da agência por parte de certos indivíduos, que, segundo afirmou, terão desviado receitas destinadas ao funcionamento da ANCA nos últimos quatro anos.
De acordo com Sanhá, a qualidade do produto também caiu: anteriormente eram necessárias entre 160 e 170 castanhas para completar um quilograma, enquanto atualmente, nas zonas afetadas por pragas, esse número pode chegar a 220 ou 230 castanhas.
O sindicalista afirmou ainda que o Conselho de Administração não tem conseguido cumprir as atribuições previstas nos estatutos da ANCA-GB.
“Este Conselho de Administração não tem partilhado informações sobre a situação da instituição, nem demonstra articulação com parceiros relativamente aos planos anuais de atividades, como determinam os estatutos”, acusou.
Os trabalhadores exigem a demissão de todos os membros do Conselho de Administração no prazo de 24 horas.
“Caso não se demitam, solicitamos ao primeiro-ministro, Ilídio Vieira Té, que tome essa decisão no âmbito das suas competências, na próxima reunião do Conselho de Ministros”, apelou.
Por: Natcha Mário M’bundé


















