Xi Jinping anuncia 5.000 bolsas de formação em IA e reforça cooperação com o Sul Global

O Presidente da República Popular da China, Xi Jinping, anunciou que o seu país disponibilizará, nos próximos cinco anos, 5.000 vagas em programas de formação e seminários sobre Inteligência Artificial (IA) destinados a países em desenvolvimento. Além disso, garantiu a criação de centros de cooperação internacional em aplicações de IA com a ASEAN, a Liga Árabe, a União Africana, a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC), a Organização de Cooperação de Xangai e o BRICS.

O anúncio foi feito durante o discurso de abertura da Conferência Mundial sobre Inteligência Artificial 2026 (WAIC) e da Reunião de Alto Nível sobre Governação Global da IA, realizada em Xangai, na sexta-feira, 17 de julho de 2026. Na ocasião, Xi Jinping apelou à comunidade internacional para unir esforços na construção de um sistema global de governação da IA em benefício da humanidade.

Sob o lema “Parceria em IA para um Futuro Mais Brilhante”, a conferência reuniu cerca de 1.400 participantes provenientes da China e de vários países, contando com mais de 140 fóruns temáticos. Pela primeira vez, a área de exposição ultrapassou os 100 mil metros quadrados, com a participação de mais de 1.100 empresas.

Durante a intervenção, Xi Jinping anunciou igualmente que a China está a trabalhar para implementar o sistema de alerta meteorológico baseado em IA MAZU em 30 países, com o objetivo de reforçar a segurança e a prevenção de desastres a nível global.

O líder chinês defendeu a criação de um sistema internacional de governação da inteligência artificial assente na justiça, na equidade e nos benefícios partilhados. Contudo, sublinhou que o desenvolvimento da IA não deve ser conduzido de forma isolada por qualquer país, mas resultar de uma ampla cooperação internacional.

Pequim coloca África entre os principais beneficiários da formação em IA

No que diz respeito aos programas de capacitação, Xi Jinping revelou que a China irá criar um centro de formação em IA em parceria com a União Africana e outras organizações regionais, tornando o continente africano um dos principais beneficiários desta iniciativa.

À medida que os países africanos aceleram os seus processos de transformação digital, o presidente chinês considerou que o desenvolvimento de competências, a transferência de tecnologia e a partilha de experiências constituem instrumentos essenciais para combater a exclusão digital.

“Quanto mais rapidamente a IA avança, mais precisamos de um rumo firme em direção a uma inteligência artificial orientada para o progresso, para o bem e para a humanidade, apoiada por regulamentação e mecanismos de governação eficazes, capazes de prevenir qualquer uso indevido”, afirmou.

Xi Jinping acrescentou que a China pretende adotar uma postura ainda mais aberta na cooperação internacional em matéria de IA.

“A China, com uma mente mais aberta, irá envolver-se mais ativamente em ações concretas com uma visão mais ampla”, declarou, reafirmando a disponibilidade do país para trabalhar com diferentes parceiros na maximização das oportunidades e no enfrentamento dos desafios associados ao desenvolvimento da inteligência artificial.

Xi Jinping apresenta quatro propostas para o desenvolvimento e a governação da IA

Durante o seu discurso, Xi Jinping apresentou quatro pontos considerados fundamentais para o desenvolvimento e a governação global da inteligência artificial.

Em primeiro lugar, defendeu o princípio da abertura e da cooperação mutuamente benéfica, aliado à promoção da inovação. Nesse sentido, destacou a importância do código aberto, da colaboração internacional e da partilha de conhecimento para acelerar a inovação tecnológica, o desenvolvimento industrial e as aplicações da IA.

Em segundo lugar, alertou para a necessidade de reforçar a gestão dos riscos e garantir que a IA permaneça segura e sob controlo humano. O presidente chinês apelou ainda para que os países evitem ampliar excessivamente o conceito de segurança nacional neste domínio, em detrimento do desenvolvimento global.

Como terceiro ponto, defendeu a inclusão e o intercâmbio entre civilizações, afirmando que a inteligência artificial não deve comprometer a diversidade cultural nem a identidade das diferentes nações.

Por último, destacou a importância da solidariedade internacional e do fortalecimento da governação global da IA, reconhecendo o papel central das Nações Unidas na coordenação dos esforços internacionais.

“Devemos aprofundar a cooperação internacional e apoiar os países do Sul Global no reforço das suas capacidades, reduzindo as desigualdades no acesso à inteligência artificial e à digitalização, promovendo o desenvolvimento sustentável e evitando o surgimento de novas injustiças históricas”, afirmou.

Lançada a Organização Mundial de Cooperação em Inteligência Artificial

O ministro dos Negócios Estrangeiros da China, Wang Yi, assinou o acordo para a criação da Organização Mundial de Cooperação em Inteligência Artificial (WAICO, na sigla em inglês), iniciativa que reúne 29 países.

A WAICO nasce como uma organização internacional intergovernamental independente, com sede em Xangai, tendo como missão promover a cooperação internacional e a governação global da IA, assegurando que esta tecnologia seja desenvolvida de forma segura, justa e benéfica para todos.

O acordo foi igualmente assinado pelos representantes dos 29 países participantes, entre os quais o Cazaquistão, o Laos, o Paquistão, a Rússia e a Indonésia, que passam a integrar o grupo de membros fundadores da nova organização.

O documento estabelece que a WAICO defenderá os princípios da Carta das Nações Unidas e promoverá um modelo de cooperação baseado na consulta ampla, na contribuição conjunta e no benefício partilhado, adotando simultaneamente uma abordagem centrada nas pessoas.

A cerimónia de assinatura contou ainda com a presença do Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, juntamente com representantes de diversos países e organizações internacionais.

Por: Assana Sambú, Pequim

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