Plataforma dos Atores Não Estatais propõe comissão para proteger recursos marinhos

O presidente da Plataforma dos Atores Não Estatais da Pesca Artesanal e da Aquacultura, Papa Cá, defendeu a criação de uma comissão tripartida para garantir uma gestão mais eficiente dos recursos marinhos partilhados entre os países da sub-região.

Papa Cá fez estas declarações à imprensa, esta sexta-feira 17 de julho de 2026, à margem do encerramento de um ateliê de dois dias promovido pela Confederação Africana das Organizações Profissionais da Pesca Artesanal (CAOPA).

O encontro reuniu profissionais do setor das pescas provenientes do Senegal, da Gâmbia, da Guiné-Bissau, da Guiné-Conacri e da Mauritânia, com o objetivo de criar comissões conjuntas de pesca artesanal para reforçar a cooperação regional.

A iniciativa visa fortalecer a gestão dos recursos pesqueiros partilhados, com especial enfoque nas pequenas espécies pelágicas, nomeadamente a sardinela. O projeto procura igualmente prevenir conflitos transfronteiriços relacionados com as atividades pesqueiras.

A CAOPA defende uma maior participação das organizações profissionais na implementação dos protocolos de pesca, considerando essencial que os pescadores conheçam os seus direitos, deveres e os acordos que regulam o setor.

Na sua intervenção, Papa Cá destacou que a iniciativa representa uma oportunidade para aproximar as autoridades da Guiné-Bissau, do Senegal e da Gâmbia dos profissionais da pesca artesanal, promovendo o diálogo e a cooperação entre as diferentes organizações do setor.

Segundo o responsável, sem consenso, diálogo e um ambiente de aproximação entre os pescadores artesanais dos vários países, será difícil assegurar uma gestão eficaz dos recursos pesqueiros.

O presidente da Plataforma dos Atores Não Estatais da Pesca Artesanal sublinhou ainda que a realização deste encontro na Guiné-Bissau constitui uma oportunidade para fortalecer as relações entre os três países e criar mecanismos conjuntos de gestão dos recursos do mar.

Por sua vez, o presidente da CAOPA, Gaousso Gueye, apelou a uma maior colaboração dos profissionais da pesca artesanal na gestão dos recursos pesqueiros existentes entre as fronteiras da Guiné-Bissau, do Senegal e da Guiné-Conacri. Manifestou igualmente a esperança de que a organização consiga alargar a comissão conjunta à Guiné-Conacri, reforçando a cooperação regional.

Papa Cá explicou que a futura comissão mista será composta por 12 membros, dos quais quatro representantes de cada país: Guiné-Bissau, Senegal e Gâmbia.

Segundo o responsável, a criação da comissão pretende unir os profissionais da pesca artesanal, permitindo a definição de uma visão comum para o setor e facilitando a partilha de experiências e boas práticas entre pescadores dos três países.

Defendeu também a necessidade de intensificar as ações de sensibilização e divulgação dos acordos de pesca, para que os pescadores se apropriem do seu conteúdo e conheçam melhor os regulamentos que regem a pesca artesanal.

Por seu turno, Gaousso Gueye defendeu uma maior participação dos jovens e das mulheres na comissão tripartida. Propôs igualmente a disponibilização de equipamentos adequados para a captura de pequenas espécies pelágicas, como a sardinela, de forma a garantir que esses recursos continuem a contribuir para a segurança alimentar das populações.

O presidente da CAOPA destacou ainda a importância da promoção de boas práticas de pesca artesanal na sub-região e da produção de dados estatísticos fiáveis que permitam avaliar o impacto do setor nas comunidades costeiras e a sua contribuição para o desenvolvimento económico e social.

Por: Carolina Djemé

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *