O Espaço de Concertação das Organizações da Sociedade Civil, o Pacto Social, a Firkidja di Pubis, a Frente Popular e o Movimento Revolucionário Pó di Terra rejeitaram qualquer mediação do Presidente do Senegal, Bassirou Diomaye Faye, e exigiram que a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) cumpra as decisões adotadas na cimeira de dezembro de 2025.
Num comunicado conjunto, as organizações rejeitam igualmente qualquer iniciativa de mediação que não respeite os princípios da imparcialidade, da legalidade democrática e da soberania da Guiné-Bissau. Defendem que uma mediação só pode ser considerada credível quando inspira confiança às partes envolvidas, respeita o Estado de direito e contribui para a restauração da ordem constitucional.
As organizações manifestam ainda sérias reservas quanto à neutralidade do Presidente senegalês, Bassirou Diomaye Faye, apontando a sua alegada proximidade política e pessoal com o antigo Presidente Umaro Sissoco Embaló.
Segundo o comunicado, Faye estaria a favorecer as posições daqueles que, na perspetiva das organizações, interromperam a ordem constitucional. Acrescentam que as propostas defendidas pelo chefe de Estado senegalês contrariam as deliberações anteriormente aprovadas pela CEDEAO.
Os signatários afirmam não reconhecer como aceitável qualquer processo de mediação que não mereça a confiança das principais forças políticas e sociais do país. Sustentam que apenas uma mediação imparcial poderá criar as condições necessárias para uma solução legítima e duradoura da crise.
No documento, as organizações alertam que a CEDEAO não pode permanecer indiferente àquilo que consideram ser uma degradação da ordem constitucional na Guiné-Bissau. Recordam que a organização regional tem a responsabilidade política, jurídica e moral de cumprir o seu mandato de promoção da democracia e da estabilidade institucional.
Acusam igualmente a CEDEAO de se preparar para aceitar ou legitimar decisões tomadas pelas autoridades de facto, sublinhando que as deliberações saídas da cimeira de dezembro de 2025 continuam por implementar.
As organizações referem ainda que o silêncio observado no país não deve ser interpretado como sinal de aceitação da situação política vigente. Alegam que esse silêncio resulta de um clima de medo, repressão, intimidação e violência, advertindo que qualquer interpretação em sentido contrário constitui um erro político e histórico.
No comunicado, exigem o cumprimento integral das decisões adotadas em dezembro de 2025 e defendem a realização de uma mediação verdadeiramente imparcial, recusando qualquer solução que, no seu entendimento, contribua para legitimar a interrupção da ordem constitucional.
Por fim, reafirmam a determinação de prosseguir a luta política e cívica, com ou sem o apoio da CEDEAO, sublinhando que nenhuma pressão externa impedirá o povo guineense de decidir o seu próprio destino.
Por Tiago Seide


















