Federação de Andebol critica falta de apoio financeiro e teme falhar Challenge Trophy 2026

O presidente da Federação de Andebol da Guiné-Bissau (FAGB), Mário Jorge Pinhel, denunciou a existência de uma profunda desigualdade na atribuição de apoios financeiros do Governo às federações desportivas nacionais para a realização das suas atividades, especialmente no que diz respeito à participação em competições internacionais.

Sem identificar as federações que têm beneficiado desses apoios, Jorge Pinhel afirmou que a FAGB integra o grupo de instituições desportivas que se sentem abandonadas pelo Estado guineense.

“Se perguntar a uma criança, ela dirá a mesma coisa. Se não existem verbas, deve haver o mesmo tratamento para todas as federações. Não há nenhuma explicação esclarecedora sobre o porquê de a Federação de Andebol e outras federações não terem recebido apoios das autoridades. Temos federações privilegiadas que conseguem financiamento para as suas atividades. Esta situação não é positiva. Todas as federações desportivas que competem no exterior representam a Guiné-Bissau, levando consigo o hino e a bandeira nacionais. Por isso, todas devem ser tratadas da mesma forma, sem casos especiais”, declarou.

Mário Jorge Pinhel falava esta terça-feira, 28 de julho de 2026, numa entrevista concedida à secção desportiva do jornal O Democrata, destinada a abordar os preparativos da seleção nacional de andebol para a participação no Challenge Trophy 2026 – Zona II, que será disputado na Guiné-Conacri, bem como a conclusão do campeonato nacional da modalidade.

O dirigente federativo alertou para o risco real de a Guiné-Bissau não participar na competição internacional organizada pela Federação Internacional de Andebol (IHF), prevista para agosto, na categoria masculina.

“A Federação Internacional subvenciona mais de 50% das despesas das seleções participantes, assegurando o transporte terrestre das caravanas e cobrindo os custos de alojamento e alimentação. Países como Senegal, Cabo Verde, Guiné-Conacri e Mali disponibilizam verbas para que os atletas possam viajar de avião e não por via terrestre. Esse esforço reduz significativamente o desgaste físico dos jogadores. Desde que começámos a participar nesta competição, em 2010, nunca tivemos essa oportunidade. Cabe ao Governo assegurar as despesas de preparação e os subsídios de viagem, mas infelizmente não tivemos essa sorte em vários momentos”, lamentou.

Segundo explicou, a FAGB informou o Ministério da Juventude, Cultura e Desportos, por intermédio da Direção-Geral dos Desportos, logo após ter recebido, em março, a confirmação do país anfitrião da competição.

“Achávamos que, passados cinco meses, já teríamos os meios financeiros necessários para garantir a participação da Guiné-Bissau nesta prova. Contudo, até ao momento, não recebemos qualquer resposta satisfatória”, acrescentou.

Pinhel revelou ainda que, após a participação da seleção nacional feminina no Challenge Trophy 2025 – Zona II, realizado na Mauritânia, alguns atletas decidiram reter equipamentos desportivos depois de terem sido informados de que o Governo havia desbloqueado apoios financeiros para determinadas federações que apresentaram pedidos de financiamento.

De acordo com o presidente da FAGB, esta situação poderá obrigar a seleção nacional a participar na competição com equipamentos incompletos ou insuficientes.

O Challenge Trophy 2026 – Zona II decorrerá na Guiné-Conacri entre os dias 11 e 15 de agosto, estando prevista a chegada das delegações participantes no dia 10. De acordo com a FAGB, a Guiné-Bissau pretende participar com as seleções masculinas de sub-18 (juvenis) e sub-20 (juniores).

A competição é organizada regularmente pela Federação Internacional de Andebol (IHF) no âmbito da promoção e desenvolvimento da modalidade a nível mundial. Em cada edição participa apenas um dos géneros. Este ano, a prova será disputada exclusivamente no setor masculino.

Campeonato nacional

Relativamente ao Campeonato Nacional de Andebol, a equipa de Canchungo conquistou os títulos nacionais nos escalões masculino e feminino.

A prova, organizada pela FAGB, contou com a participação de dez equipas, masculinas e femininas, embora algumas tenham competido apenas numa das categorias.

Entre os participantes estiveram cinco equipas provenientes do interior do país, nomeadamente de Mansoa, Canchungo, Bissorã e Gabú. As restantes formações representaram o Setor Autónomo de Bissau.

Eleito presidente da FAGB em agosto de 2025, Mário Jorge Pinhel defende que o seu projeto assenta num pacto de “inclusão, diversidade e competência”.

“Este projeto é a prova de que o desporto nacional pode e deve ser dirigido por pessoas com conhecimento técnico, experiência prática, visão estratégica e capacidade de liderança, independentemente do género”, concluiu.

Por: Alison Cabral

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *