O Movimento Revolucionário Pó de Terra (MRPT) manifestou-se contra a realização do referendo constitucional marcado para 30 de agosto e apelou aos cidadãos guineenses para que não compareçam às urnas.
A posição consta de um comunicado divulgado nesta quarta-feira, 19 de agosto de 2026, consultado por O Democrata, no qual o movimento classifica o referendo como um “simulacro de consulta popular” promovido pelas autoridades de transição. Por esse motivo, defende o boicote total à votação.
Segundo o MRPT, a participação no referendo, incluindo através do voto “Não”, contribuiria para conferir legitimidade política e internacional ao processo constitucional conduzido pelas atuais autoridades.
O movimento sustenta que a consulta ocorre num contexto marcado por restrições às liberdades de imprensa, manifestação e associação política, além de alegadas pressões exercidas por setores militares.
Nesse sentido, o MRPT defende o restabelecimento dos órgãos de soberania eleitos nas eleições de 23 de novembro de 2025 e o retorno à normalidade constitucional como condição prévia para a realização de qualquer consulta popular.
No comunicado, o movimento questiona ainda a necessidade da realização do referendo sobre o novo texto constitucional, alegando que a Constituição já teria sido promulgada e publicada no Boletim Oficial em 15 de junho de 2026.
Para o MRPT, a alegada entrada em vigor antecipada da nova Constituição retira sentido à consulta popular e transforma o referendo numa tentativa de legitimar posteriormente uma decisão já tomada pelas autoridades.
A organização rejeita igualmente a estratégia de participação por meio do voto “Não”. Na sua avaliação, mesmo uma eventual vitória expressiva dessa opção não produziria efeitos práticos sobre o processo, devido ao controlo que as autoridades exerceriam sobre a organização da votação e o apuramento dos resultados.
Por outro lado, o movimento critica a alegada ausência de partidos políticos e organizações da sociedade civil na fiscalização das mesas de voto. Para o MRPT, essa situação compromete a transparência do processo e aumenta os riscos de manipulação dos resultados.
O comunicado acusa ainda setores da CEDEAO e interesses associados ao que define como “neocolonialismo francês” de apoiarem a consolidação das atuais autoridades em troca de benefícios geopolíticos e económicos.
Por fim, o Movimento Revolucionário Pó de Terra reafirma a sua oposição ao referendo e convoca trabalhadores, jovens e outras forças políticas e sociais a aderirem ao “boicote total” da votação marcada para 30 de agosto.
Por Tiago Seide


















