O coordenador do Coletivo dos Professores Contratados, Mateus Cá, advertiu que, caso os problemas da classe não sejam resolvidos, o ano letivo 2026/2027 poderá ficar seriamente comprometido.
O coletivo exige o pagamento dos salários em atraso antes do início do novo ano letivo, a colocação imediata dos professores do primeiro e do segundo grupos e a regularização de todos os salários em dívida, correspondentes a períodos de cinco, seis e sete meses.
Mateus Cá falava esta terça-feira, 25 de agosto de 2026, durante uma conferência de imprensa realizada para exigir do Governo a resolução das reivindicações dos professores contratados.
Na ocasião, o grupo manifestou a sua indignação perante a postura do Executivo, acusando-o de tratar os docentes contratados de forma desumana ao longo dos últimos seis anos.
“Somos fonte e promotores de sabedoria, por isso os nossos problemas devem ser resolvidos de imediato para salvar o novo ano letivo. O Governo tratou os professores contratados de forma desumana”, criticou.
O responsável afirmou ainda que o primeiro-ministro de transição acompanha o dossiê dos professores há seis anos e, por isso, conhece profundamente as dificuldades enfrentadas pela classe.
“O chefe do Governo conhece o nosso dossiê e está numa posição privilegiada para atender às nossas reclamações. Se o nosso problema não for resolvido, não teremos outra alternativa senão boicotar as atividades letivas. O Governo deve estar interessado em resolver o problema e assumir as suas responsabilidades”, afirmou.
Segundo Mateus Cá, os professores contratados já não conseguem suportar a atual situação e criticou a contratação de docentes sem cobertura orçamental.

“Nós não podemos continuar nesta situação. O Ministério da Educação não pode contratar professores sem cabimento orçamental. É isso que o ministro das Finanças do Governo de transição tem vindo a defender. Reclamamos, regressamos ao terreno, mas nada é resolvido. Não é justo. Deve haver uma solução para cada problema. Apenas queremos esclarecimentos do Governo sobre a razão de não recebermos os nossos salários no final de cada mês”, questionou.
O coordenador do coletivo, que representa cerca de 4.800 professores em todo o país, denunciou ainda que dispõe de informações segundo as quais existem recursos financeiros para liquidar a dívida acumulada. Defendeu igualmente o aumento do número de professores para garantir a cobertura de todo o território nacional.
“São os professores contratados que asseguram o funcionamento do sistema educativo no país. Por isso, é urgente que o Governo pague os salários em atraso e atenda a todas as reclamações do grupo, porque existem condições para o fazer”, insistiu.
Questionado por O Democrata sobre as medidas concretas que poderão ser adotadas caso as reivindicações não sejam atendidas, Mateus Cá explicou que o coletivo já enviou correspondência ao Presidente da República e ao primeiro-ministro, aguardando a reação de ambos antes de tomar qualquer decisão.
Por fim, o coordenador do Coletivo dos Professores Contratados exigiu ao Governo de transição a revisão do modelo de contratação e colocação de professores, bem como o pagamento de 18 meses de salários em atraso antes do arranque do ano letivo 2026/2027.
Por: Jacimira Segunda Sia


















