A líder do Movimento Social Democrático (MSD), Joana Cobdé Nhanca, defendeu a necessidade de uma ampla campanha de sensibilização e de divulgação de informações claras sobre o referendo nacional, alertando que o processo não deve ser conduzido de forma precipitada, sob pena de gerar tensão e agravar a instabilidade no país.
Joana Cobdé Nhanca fez estas declarações numa entrevista exclusiva ao jornal O Democrata, na qual abordou o processo do referendo nacional agendado para 30 de agosto de 2026.
Durante a entrevista, a dirigente política teceu duras críticas ao atual contexto político, afirmando que “todos os cidadãos estão com o espírito agitado” e vivem “sem tranquilidade”.
“Este clima não permite a realização de um referendo nacional, a menos que seja um referendo dos militares que interromperam as eleições na Guiné-Bissau, impediram a divulgação dos resultados e retiraram o poder ao vencedor do escrutínio”, afirmou.
Perante esta situação, Nhanca aconselhou os cidadãos guineenses a refletirem cuidadosamente sobre os planos das atuais autoridades de transição e a observarem atentamente o funcionamento das instituições antes de assumirem qualquer posição.
A presidente do MSD alertou ainda para a necessidade de um maior esclarecimento da população sobre o referendo, de modo a garantir que todos compreendam o conteúdo e os objetivos da consulta popular.
Segundo Joana Cobdé Nhanca, o referendo introduziu novas dificuldades no processo de decisão popular. Entre as questões levantadas, destacou a proposta de redução significativa do número de deputados [Lei eleitoral].
“Esta redução deve ser acompanhada de uma explicação clara e de uma forte campanha de sensibilização, para que as pessoas possam compreender todo o processo. Não faz sentido reduzir o número de deputados quando a população continua a crescer”, criticou.
De acordo com a líder do MSD, caso se tratasse de um processo plenamente democrático, os deputados eleitos deveriam deslocar-se às tabancas e comunidades para esclarecer a população sobre o referendo e as eventuais alterações à Constituição da República.
Joana Cobdé Nhanca apelou ainda aos militantes, dirigentes e simpatizantes do partido para que façam uma escolha livre, consciente e informada.
Instada a comentar sobre a eventual legitimidade da nova Constituição, a dirigente criticou sobretudo a forma como o processo está a ser conduzido, alegando que os partidos políticos foram excluídos da sua preparação.
“Participámos nas eleições e quem venceu foi impedido de governar. Como podem os partidos políticos avaliar se esta é ou não uma verdadeira consulta popular, se foram afastados de todo o processo?”, questionou.
Neste sentido, defendeu que o processo deveria assentar no respeito pelas leis vigentes e garantir a participação dos partidos políticos, acrescentando que os deputados da nação deveriam percorrer o território para informar a população sobre o conteúdo do referendo.
“Não faz sentido submeter a consulta popular um documento que já foi publicado no Boletim Oficial. Trata-se de uma situação paradoxal e de uma enorme confusão criada em torno do referendo”, afirmou.
A líder do MSD advertiu ainda que o referendo deve ser analisado com racionalidade e em função do interesse nacional, e não para beneficiar uma única pessoa.
“Ninguém é eterno e ninguém permanecerá para sempre no poder”, observou.
Joana Cobdé Nhanca afirmou também que dispõe de poucas informações sobre o referendo, o que, segundo disse, dificulta a apresentação de contributos para o debate e para o desenvolvimento do país.
Para a dirigente política, o referendo não representa um processo democrático, mas sim uma iniciativa conduzida pelos militares.
“São eles que estão no terreno a fazer campanha. A quem servirá este referendo e a nova Constituição da República aprovada pelo Conselho Nacional de Transição?”, questionou.
Por: Carolina Djeme


















