O ministro da Economia, Finanças e Planeamento do Senegal, Cheikh Diba, afirmou que o país pretende resolver os seus desafios de endividamento sem recorrer a uma reestruturação tradicional da dívida.
As declarações foram feitas na terça-feira, 1 de setembro de 2026, durante uma conferência de imprensa realizada à margem do encerramento da missão do Fundo Monetário Internacional (FMI) no Senegal.
O governante rejeitou a possibilidade de uma operação clássica de renegociação dos termos de pagamento dos empréstimos do país. Segundo explicou, o plano anunciado pelas autoridades segue uma abordagem diferente, concebida especificamente para responder à realidade senegalesa.
“O plano de tratamento da dívida do Senegal não é uma reestruturação no sentido tradicional do termo”, sublinhou.
Segundo o ministro, a diferença vai além da terminologia e traduz a intenção do Governo de privilegiar uma solução adaptada à composição da dívida do Senegal, em vez de recorrer a mecanismos padronizados utilizados noutros países.
Diba frisou que se trata, antes de mais, de uma iniciativa nacional.
“Este é um plano que não poderia ser aplicado ao Gana, à Zâmbia ou a Moçambique”, afirmou.
O ministro acrescentou que Dakar pretende adotar uma resposta que tenha em conta a natureza da sua dívida, a sua composição e as relações mantidas com os seus parceiros financeiros.
Para ilustrar a estratégia, recorreu a uma metáfora médica. A dívida, explicou, é o “doente”, enquanto uma reestruturação convencional corresponderia a uma cirurgia.
“O Senegal procura uma abordagem diferente, comparável a um tratamento administrado em doses sucessivas, para alcançar um resultado semelhante sem recorrer a uma cirurgia de grande porte”, esclareceu.
“Decidimos que não queremos que o nosso doente seja submetido a uma cirurgia que possa causar danos permanentes”, acrescentou.
De acordo com o governante, o Executivo privilegia uma solução gradual e de longo prazo, procurando evitar os efeitos frequentemente associados às reestruturações tradicionais da dívida.
Contudo, reconheceu que a estratégia exigirá uma implementação faseada. O ministro garantiu que cada etapa será comunicada regularmente e que todo o processo será conduzido com transparência.
Diba reiterou ainda que o Governo não pretende apresentar o plano como uma reestruturação disfarçada, mas sim como um mecanismo específico de gestão da dívida adaptado às necessidades do país.
O sucesso da iniciativa dependerá, segundo o ministro, da capacidade das autoridades para concretizar as medidas anunciadas e manter a confiança dos parceiros financeiros.
“Será conduzido de forma transparente, com comunicações regulares que detalharão as várias etapas de implementação deste plano de tratamento da dívida”, prometeu.
Por: Redação
O Democrata/Le Soleil


















