O Conselho Nacional de Transição (CNT) apelou a todos os atores políticos para que respeitem o processo institucional em curso e aguardem a publicação dos resultados finais pela entidade competente, a Comissão Nacional de Eleições (CNE).
O apelo foi lançado esta quarta-feira, 2 de setembro de 2026, pelo vice-presidente do Conselho Nacional de Transição, Fode Caramba Sanhá, durante uma comunicação à imprensa realizada após o referendo.
O responsável afirmou que os resultados provisórios indicam uma tendência clara favorável ao voto “Sim” e sublinhou que, nesta fase, a responsabilidade é maior do que celebrar uma percentagem, sendo necessário preparar a Guiné-Bissau para o período pós-referendo.
Segundo Fode Caramba Sanhá, caso os resultados finais confirmem a tendência provisória, o lema da campanha, “Voto Sim pela Estabilidade”, deixará de ser apenas uma mensagem eleitoral para se transformar numa responsabilidade que deverá ser demonstrada através de ações concretas.
Na sua intervenção, destacou que estabilidade significa instituições funcionais, respeito pela legalidade, previsibilidade na vida pública, segurança, continuidade das reformas, criação de condições para o funcionamento regular do Estado, diálogo e respeito pelas diferenças.
O vice-presidente do CNT acrescentou ainda que, caso a tendência seja confirmada, chegará ao fim uma etapa em que foi pedido ao povo guineense que votasse pela estabilidade, iniciando-se outra, mais exigente, marcada pela construção de instituições fortes, pela promoção da legalidade, do diálogo, da responsabilidade e do respeito por quem concorda e por quem discorda.
Durante a sua comunicação, Fode Caramba Sanhá reconheceu que os resultados provisórios mostram igualmente que o país não se pronunciou de forma uniforme, uma vez que, segundo afirmou, “há regiões em que a participação foi muito elevada e outras em que se registaram níveis significativos de abstenção”.
“A título de exemplo, nas regiões de Gabú e Bafatá, a participação aproximou-se dos 90%, acompanhada de uma votação fortemente favorável ao ‘Sim’. Em Tombali registou-se igualmente uma participação elevada e uma maioria clara da opção ‘Sim'”, realçou.
De acordo com Fode Caramba Sanhá, embora o “Sim” surja maioritário entre os votos válidos em regiões como Biombo, Quinara e Bolama/Bijagós, os níveis de participação foram reduzidos. Já no Setor Autónomo de Bissau, os resultados provisórios atribuem 64.241 votos ao “Não” e 58.957 ao “Sim”, o que representa uma vantagem provisória de 5.284 votos para o “Não”.
Para o dirigente, todos os resultados merecem respeito, salientando que a democracia não se mede apenas pela existência de uma maioria, mas também pela capacidade de respeitar aqueles que fizeram escolhas diferentes.
Caramba Sanhá denunciou ainda que, durante o processo referendário, houve apelos públicos à não participação. Contudo, frisou que os resultados provisórios indicam que a maioria dos eleitores inscritos compareceu às urnas.
“As diferenças significativas de participação entre regiões merecem uma análise serena, rigorosa e responsável”, afirmou. Acrescentou que a obrigação das autoridades não é apenas contabilizar os votos, mas também compreender as mensagens transmitidas pelos cidadãos através do voto “Sim”, do voto “Não” e da própria abstenção.
Sanhá alertou ainda que, caso os resultados provisórios anunciados pela Comissão Nacional de Eleições sejam confirmados, a Constituição resultante do referendo não será a Constituição de uma campanha, de um grupo ou de uma região, mas sim um quadro institucional para toda a República da Guiné-Bissau.
Por essa razão, Fode Caramba Sanhá considerou que uma eventual confirmação da maioria favorável ao “Sim” deve ser recebida não como uma autorização para dividir, mas como uma responsabilidade acrescida para promover a união e a inclusão.
Por: Carolina Djeme


















