A ministra dos Negócios Estrangeiros, da Cooperação Internacional e das Comunidades, Fatumata Jau, reafirmou o compromisso da Guiné-Bissau com o Movimento dos Países Não Alinhados (MPNA), durante um evento realizado em Belgrado, na Sérvia, para assinalar os 65 anos da primeira conferência do Movimento.
A chefe da diplomacia guineense, que representou o país no encontro, reiterou, juntamente com os seus homólogos, o compromisso da Guiné-Bissau com os princípios da soberania, da autodeterminação, da igualdade entre os Estados e da autonomia na condução da política externa, segundo uma nota do Ministério dos Negócios Estrangeiros consultada pela redação do Jornal O Democrata.
A primeira conferência oficial do Movimento dos Países Não Alinhados teve lugar em Belgrado, então capital da Jugoslávia, entre os dias 1 e 6 de setembro de 1961. Os países participantes procuravam afirmar a sua neutralidade, recusando o alinhamento tanto com o bloco liderado pela antiga União Soviética como com os modelos de desenvolvimento industrial promovidos pelos Estados Unidos da América.
De acordo com a mesma nota, Fatumata Jau destacou, na sua intervenção, a trajetória histórica que liga Bandung, em 1955, a Belgrado, em 1961, permitindo o surgimento de uma voz política própria dos países africanos e asiáticos num sistema internacional então dominado pela lógica dos grandes blocos.
“Para a Guiné-Bissau, esta história tem um significado particular. Ainda antes da independência, a luta de libertação nacional encontrou no Movimento dos Não Alinhados e na solidariedade dos seus Estados-membros uma importante plataforma política e diplomática para fazer ouvir, internacionalmente, as aspirações do povo guineense à autodeterminação e à soberania”, lê-se na nota.
A ministra sublinhou que a relação da Guiné-Bissau com o não alinhamento antecede a própria independência nacional e inscreve-se na história mais ampla da descolonização africana e da solidariedade internacional para com os povos que lutavam contra o colonialismo.
Num contexto internacional marcado por conflitos, rivalidades entre grandes potências e crescente fragmentação geopolítica, a chefe da diplomacia guineense defendeu um não alinhamento contemporâneo assente na autonomia de decisão, na diversificação de parcerias e na liberdade de cada Estado para definir a sua política externa de acordo com os seus interesses nacionais, sempre no respeito pela Carta das Nações Unidas e pelo Direito Internacional.
A Guiné-Bissau defendeu igualmente uma voz africana mais forte nos processos internacionais de decisão, bem como um multilateralismo mais representativo, capaz de refletir as transformações do mundo e responder de forma mais equilibrada às prioridades dos países em desenvolvimento, refere a nota.
À margem das comemorações, Fatumata Jau manteve encontros bilaterais com representantes da Sérvia, Azerbaijão, Burundi, Índia e Nepal, entre outros países, com vista ao reforço das relações políticas e à identificação de novas oportunidades de cooperação.
Segundo a nota consultada, as conversações incidiram sobre áreas consideradas prioritárias para a Guiné-Bissau, nomeadamente educação, com destaque para bolsas de estudo e programas de formação, agricultura, saúde, capacitação institucional, cooperação técnica e económica, investimento e intercâmbio diplomático.
Com a Sérvia, país anfitrião do evento, foi reafirmada a importância das históricas relações de amizade entre os dois países, tendo sido analisadas formas de lhes conferir uma nova dinâmica através de iniciativas concretas de cooperação e benefício mútuo.
A agenda desenvolvida em Belgrado traduz uma orientação clara da política externa da Guiné-Bissau: preservar amizades históricas, diversificar parcerias e transformar relações políticas em oportunidades concretas de cooperação para o desenvolvimento nacional.
Por: Redação


















