O presidente da Federação de Futebol da Guiné-Bissau (FFGB), Carlos Alberto Mendes Teixeira (CAÍTO), responsabilizou esta terça-feira, 8 de setembro de 2026, os empresários do futebol guineense, bem como os pais e encarregados de educação dos jogadores, pela desqualificação da seleção nacional Sub-17. Segundo o dirigente, estes intervenientes terão contribuído para a redução fraudulenta da idade dos atletas que participariam na competição.
Carlos Alberto Mendes Teixeira falava numa conferência de imprensa realizada no Estádio Nacional 24 de Setembro, em Bissau, para reagir à desqualificação da seleção Sub-17 do Torneio Qualificativo para o Campeonato Africano das Nações (CAN) da Zona UFOA-A, que decorre em Dakar, capital do Senegal.
De acordo com as autoridades da competição, a Guiné-Bissau integrou no seu plantel dez jogadores com idade superior à permitida pelo regulamento da UFOA-A. Ainda assim, o presidente da FFGB afirmou que a Federação não tem qualquer responsabilidade na desqualificação da equipa.
“Os empresários e os pais ou encarregados de educação são os únicos responsáveis por tudo isto”, afirmou Carlos Alberto Teixeira.
O responsável máximo do futebol guineense assegurou ainda que a Federação irá fornecer ao Governo todos os elementos de prova relacionados com a atuação de determinados empresários, que, segundo ele, estão a prejudicar o desenvolvimento do futebol nacional. O objetivo é permitir que o executivo adote mecanismos de controlo, promova notificações e aplique medidas corretivas aos envolvidos.
“A melhor forma de salvar o futebol nacional é a aquisição de uma máquina de Ressonância Magnética (IRM), capaz de determinar a idade real dos jogadores que representam as cores nacionais. No encontro que tivemos ontem com o chefe do Governo, recebemos garantias de que o Estado irá disponibilizar meios para a aquisição desse equipamento, evitando que uma situação semelhante volte a acontecer. Este poderá ser um dos maiores investimentos do Governo para salvar o futebol de formação na Guiné-Bissau, conferindo maior credibilidade às nossas seleções nas competições internacionais”, sublinhou.
Por sua vez, o diretor técnico da Federação de Futebol da Guiné-Bissau, Abubacar Mané, conhecido como Mister Abu, explicou que a Direção Técnica procura assegurar todas as condições necessárias para a participação das seleções nacionais nas diferentes competições, no âmbito do programa de desenvolvimento técnico da instituição.
“Sem futebol de formação é impossível construir um futebol de elite sustentável. As inscrições foram feitas com base nos documentos apresentados pelos jogadores e, posteriormente, os nomes dos selecionados foram enviados aos organizadores. Uma das exigências da organização é a realização de um teste prévio de IRM antes do início da competição, para determinar a idade dos atletas e avaliar aspetos orgânicos, morfológicos e biológicos, tendo em consideração fatores como o crescimento precoce ou tardio”, explicou.
Abubacar Mané acrescentou que a Guiné-Bissau não dispõe atualmente dos equipamentos necessários para verificar esses parâmetros dos atletas nacionais, o que dificulta uma seleção rigorosa e em conformidade com os regulamentos das competições regionais e internacionais.
Por esse motivo, defendeu a aquisição urgente daquele aparelho pelo Estado, de forma a prevenir situações semelhantes no futuro.
Por: Aguinaldo Ampa


















